16 de dez de 2009

Amar e perder Glauber Rocha: viúva do cineasta estreia filme sobre os últimos meses do artista

Essa reportagem está no site da Revista Marie Claire, apenas copiei e colei ela aqui, esse é o endereço http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI110329-17642,00-AMAR+E+PERDER+GLAUBER+ROCHA+VIUVA+DO+CINEASTA+ESTREIA+FILME+SOBRE+OS+ULTIMO.html


Por Letícia González
Paula Gaitán
Paula fotografa o marido pelo reflexo de um espelho

“Diário de Sintra” é um documentário, mas um diferente da maioria do gênero. Não há nomes que apresentem as pessoas na tela, indicação de data ou um discurso linear. No filme de Paula Gaitán, viúva e mãe de dois filhos de Glauber Rocha, quem fala é a voz de uma mulher que perdeu, 25 anos antes, um grande amor.

Para fazê-lo, Paula voltou a Sintra, a pequena cidade portuguesa onde viveu com o cineasta e as crianças em uma espécie de autoexílio. O ano era 1981 e a época foi de intensa produção para Glauber. A família viveu lá até que ele, doente, teve de ser trazido de volta ao Brasil. O diretor morreria no dia seguinte ao desembarque.

Como a própria Paula explica, “Diário de Sintra” não é um filme sobre o Glauber Rocha. É um jogo de memória que, poético, pode emocionar qualquer pessoa que já viveu uma perda. Foi o que ocorreu no festival de Tribeca, em Nova York, no ano passado, quando Paula viu muitas pessoas comovidas no fim de uma sessão do filme. “Poucas pessoas ali já tinham visto um filme do Glauber”, diz ela.

Marie Claire Online conversou com a artista sobre a época que inspirou o filme, que estreia nesta sexta-feira em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Marie Claire - O Diário de Sintra é um filme sobre um passado pessoal seu. Por que fazê-lo?
Paula Gaitán - Eu tinha esse material, feito em 1981, que tinha ficado no passado. Eu nunca havia mexido. Aí passados 25 anos, participei de um edital do Itaú e ganhei. Eu sempre fui correta sobre o tema: não é um filme sobre o Glauber, é uma construção minha a partir dele. E quando você faz um filme, é porque existe uma necessidade vital de fazê-lo, uma pulsão que te leva. Foi o que aconteceu.

MC - Nele, o fluxo de narração dele não é linear. Por que?
PG - Porque a memória não é linear mesmo. Ela é cheia de faltas e vazios, partes escuras que você não consegue alcançar. Para falar de memória, você parte do esquecimento e constrói essa coisa fragmentada, feita de associações livres. A memória é muito sensorial, olfativa. E o filme é sensorial também.

MC - Assistí-lo é como remexer em uma caixa de lembranças para você?
PG - No começo, quando fiz o filme, a questão da produção se impunha. Viajamos a Portugal e acontecia de acordar às 5h para trabalhar, tinha uma rotina. Ele ficou pronto em 2007 (eu o montei muito rapidamente). O que acontece agora é que, cada vez que vejo o filme me emociono mais. É como se visse filme de outra pessoa. Porque todo mundo tem perdas - às vezes nem é por morte, pode ser um namorado que foi embora ou a relação que acabou, e você tem que viver aquele luto. O filme fala delas, da ausência, não só da viuvez.

 Divulgação
Glauber, a pequena Ava e Paula

MC - Por que vocês estavam em exílio em Sintra?
PG - O Glauber tinha feito “A Idade da Terra” e nós fomos com ele para Veneza, eu ele e as crianças. O filme não teve uma boa acolhida no Brasil, pois tinha uma proposta muito à frente de seu tempo. E ele sofreu muito com isso, teve muitas decepções. Se sentiu exilado de novo. Então decidiu ir para Sintra, queria ficar isolado.

MC - Como eram esses meses em família?
PG - Foi um período muito interessante, bonito. Sintra é bucólica, é pra onde iam os poetas românticos, como o Lord Byron. Foi fértil. Ele escreveu vários roteiros. O Glauber tinha uma disciplina inacreditável, era muito rigoroso e certinho. As pessoas têm uma visão de que ele tinha uma personalidade exuberante, mas ele começava a trabalhar na máquina de escrever às 8h, ia até as 12h, almoçava e depois retomava.
O problema é que havia sido uma longa batalha mesmo. E aquilo afetou a saúde dele. Eu costumo dizer que, às vezes, o quando o guerreiro repousa, o seu corpo não resiste. Ele não resistiu.

MC - Você esteve com Glauber nos últimos anos da vida dele. Como é sobreviver à morte de um grande amor como esse?
PG - Caracas, é difícil. Foi para isso que fiz o filme. Eu tenho muitos amores, sou uma mulher apaixonada. Mas os grandes amores permanecem.

MC - Você guarda muitas coisas do Glauber?
PG - Guardo porque ele foi um homem importante. Ele não foi um grande amor só para mim, mas também para quem ama o cinema dele, para quem segue suas ideias. Não é um privilegio meu, que fui companheira dele... [Paula se desculpa por não conter o choro]. Eu fico emocionada. Esse amor não me pertence, é um amor coletivo, porque ele é um homem público.

MC - Assim como ele, você é uma artista [Paula é cineasta e poeta]. O que Glauber lhe ensinou sobre arte?
PG - O Glauber deixou uma lição para muitos artistas, que é a possibilidade da invenção, da liberdade, e de lutar por isso. De ter coragem, ter uma ética e uma estética. Na história da humanidade você vê gente que aderiu a movimentos de extrema direita e teve obras artísticas revolucionárias. Mas é essa coerência [que esses artistas não tiveram] que o Glauber deixou.

MC - O mundo conhece o Glauber intelectual, cineasta. Como era o Glauber pai e marido?
PG - Ele era muito dedicado. Era generoso, carinhoso, como os pais têm de ser. A generosidade é do carater do Glauber, ele sempre se doou muito aos amigos também. É muito bonito a parte [do filme] em que ele canta com as crianças. A Ava fica repetindo, e agora ela se tornou uma cantora incrível.

MC - Você se apaixonou novamente depois de Glauber?
PG -
Sim, me apaixonei. Eu tenho uma filha de 20 anos que é fruto de outra paixão. Eu sou uma mulher de grandes paixões, espontânea e intuitiva. É a minha maneira de me dedicar às coisas de coração aberto.

Paula Gaitán
Glauber em foto feita por Paula. No filme, a imagem é dada a moradores da pequena cidade, que falam sobre a identidade do fotografado

9 de dez de 2009

Heco - Portal Brasileiro de Cinema


A Heco Produções é uma empresa especializada em desenvolver projetos culturais em diferentes cidades do Brasil na área de audiovisual.
Fazem mostras de filmes considerados de difícil e raro acesso, promovem debates, em 2004 produziram um longa metragem e nesse ano, em parceria com a Lume Filmes, lançaram em dvd uma coleção preciosíssima de filmes do cinema marginal brasileiro (lançaram "Sem Essa, Aranha" Sganzerla, "Os Monstros de Babaloo" Visconti, "Bang Bang" Tonacci e "Meteorango Kid" Luiz de Oliveira) com ótimos extras como entrevistas com os cineastas e curtas e médias metragens raríssimos. Há ainda a previsão de mais 8 lançamentos em dvd.
Mas o mais interessante que tenho para mostrar a vocês é o site da Heco, que possui um acervo com centenas de textos sobre uma expressiva contribuição do cinema nacional escrito por pessoas importantes do meio. O site está bem dividido por blocos de pesquisa: "Cinema Marginal Brasileiro", "Leila Diniz", "José Mojica Marins - Retrospectiva", "Nelson Rodrigues", "Walter Hugo Khouri" e por aí vai. Uma fonte primordiosa de conhecimento!
Em breve o site irá se expandir com uma nova enxurrada de textos, entrevistas, fotos, ensaios, críticas, vídeos.

Um biscoito finíssimo.

Aproveitem

4 de dez de 2009

Agora na rede "Anjos da Noite"




Um dos filmes mais criativos, fodão, que já vi na vida, "Anjos da Noite" , único longa de Wilson Barros está agora disponível para download via torrent.


Aproveitem!

2 de dez de 2009

O Beijo no Asfalto


Já vi algumas adaptações de peças do Nelson Rodrigues para o cinema; A Falecida, A Dama do Lotação, Boca de Ouro, todas boas, umas mais outras menos, mas essa de Bruno Barreto é disparada a pior!
Será que na época o cara não tinha nenhuma noção de direção de atores? Seu único intuito foi filmar uma peça de teatro?

Do livro "Esculpir do tempo", escrito pelo cineasta russo Andrei Tarkovski, tirei esses trechos para embasar minhas observações:

"Pode-se representar uma cena com precisão documentária, vestir os atores de forma naturalisticamente exata, trabalhar todos os detalhes de modo a conferir-lhes uma grande semelhança com a vida real e, mesmo assim, realizar um filme que em nada lembre a realidade e que transmita a impressão de um profundo artificialismo, isto é, de não fidelidade com a vida, ainda que o artificialismo tenha sido exatamente o que o autor tentou evitar."

"(...) os filmes de Lumière foram os primeiros a conter a semente de um novo princípio estético. Logo a seguir, porém, o cinema distanciou-se da arte e empenhou-se em seguir o caminho mais seguro dos interesses medíocre e lucrativos. Nas duas décadas seguintes, filmou-se praticamente toda a literatura mundial. além de um grande número de obras teatrais. O cinema foi explorado com o objetivo direto e sedutor de registrar o desempenho teatral; tomou o caminho errado, e temos de aceitar o fato de que ainda hoje sofremos as tristes conseqüências dessa atitude.

Bruno Barreto fez tudo o que Tarkovski mais detestava no cinema, foi um baita de um preguiçoso e fez de um dos textos mais importantes do teatro uma peça sem graça, sem vida, quase sem significado. E não estou pedindo que Bruno Barreto tivesse transformado o filme numa obra moderna.

Pra quem interessar, esse é o link torrent pra downloadear o filme

ed2k://|file|O.Beijo.no.Asfalto.filbradown.blogspot.com.avi|732203008|66ACCBBCD4C5D1BF51F6AC5CB6751CCC|/


Mas peço que antes de assistir o filme, leia o texto original, como eu fiz. É um texto curto, dá pra ler numa tarde ou duas. Infelizmente não encontrei o texto para download, aquele link é para as opções de compra na Estante Virtual.

Até!



1 de dez de 2009

Quem eu sou. E quem é você?


Nas últimas três semanas eu estive quase que diariamente atualizando este blog, que recebe mais de 200 acessos por dia!Acho um volume interessante de visitas, mas não recebo uma resposta, através dos comentários, na quantidade que me basta.
Cheguei a conclusão que as pessoas que visitam esse blog não me conhecem, não sabem quem sou nem o que faço, o que fiz ou o que pretendo fazer. Acredito que um pouco mais de intimidade vai criar um elo mais próximo, fazer com que as pessoas se sintam mais a vontade para interagir comigo e com as coisas que escrevo.
Porquê mais importante que postar e ler regularmente qualquer coisa sobre o cinema nacional é o debate, a exposição dos pontos de vista, dos entendimentos.

Então:


Meu nome é Wesley Conrado, tenho 24 anos, moro em Joinville SC. Estudei cinema em Florianópolis em 2003, não terminei a faculdade porquê meus pais não tinham mais condições financeira de me bancar, e eu não queria trabalhar! Se eu tivesse arranjado um emprego eu teria terminado a facul!

Então, depois de ter trancado a facul, e saido da cidade que eu adorava, voltei pra casa e entrei numa perdição. Queria estudar e trabalhar com cinema, e ainda quero, mas não tinha condições financeiras para ir pra São Paulo,Rio, nem Curitiba. Até tentei a capital paranaense em 2005, mas não deu certo!

Trabalhei em 2004 numa fábrica da Consul/Brastemp, montando geladeiras, só colocava uma pecinha, era muito chato e até deprimente! Mas fazer o quê?! Fiquei 6 meses, como temporário, não fui efetivado, o que me deixou muito feliz!

2006 foi um ano praticamente perdido, não fiz quase nada, me considerava um marginal, freqüentava festivais de punk/rock/hc, que por sinal, eu odiava! Não tinha dinheiro, não trabalhava, não estudava. Então tentei o vestibular para o curso de Cinema na FAP-PR, não passei. Dai fui estudar Gastronomia aqui na Univille, na minha cidade. Trabalhava (de novo na fábrica de geladeiras) para pagar a facul.



E isso até que deu certo! Hoje sou cozinheiro, esse no vídeo sou eu! Também fiz curso de francês para poder terminar minha facul na França. Minha idéia com essa faculdade era a de aprender uma profissão legal, que me desse liberdade para viajar para onde eu quisesse no mundo, sem precisar da ajuda unica dos meus pais.

Bem, o intercâmbio pra França não rolou! Eu já tinha conseguido ser aceito numa faculdade de lá (Université d'Angers) através de uma acordo com a Univille, já tinha alugado um apê na França, me inscrito num curso intensivo de Francês, comprado a passagem, TU-DO estava pronto só faltava o Visto, e imaginem: Não consegui! Faltou grana na poupança! Cara, depois de ter me estressado tanto, me danado tanto, me privado de tantas coisas para poder economizar o pouco que ganhava na fábrica de geladeiras, acabei tomando no cu porquê sou pobre.

Por uma cagada da minha coordenadora eu também perdi a matricula aqui na Univille, então não podia ir pra Françar terminar o curso lá nem podia continuar normalmente o curso aqui!

"Aluno desistente" é como estou marcado na Univille! Pode? Eu? Desistente? Que absurdo! Só faltavam uns meses para me formar, aliás, o ultimo dia de aula foi na semana passada! Mas não fico triste por não poder fazer festa de formatura nem receber o diploma. Tudo o que eu queria eu consegui.

Aquela certa segurança para poder viajar pra onde quiser.

Dai tentei novamente o vestibular pra FAP-PR, e de novo, não passei.

2009 foi um ano muito louco, tudo no que investi foi por água a baixo. Eu tinha comprado um ingresso para o show do Michael Jackson, em Londres, e bem... Fiquei com o ingresso de lembrança! Também roubaram a minha bicicleta, além de ter perdido alguns mil reais por causa do intercâmbio abortado.

Ainda não desisti do cinema, nem vou desistir tão cedo. Cinema é a minha vida pois é a coisa mais importante pra mim! Nada supera o Cinema em matéria de importância, tenho cede de conhecimento, quero conhecer mais e mais sempre, pois sou consciente das minha limitações. Veja, apenas recentemente é que REALMENTE entendi o conceito de "mise en scène" e da sua importância, isso mudou completamente o meu olhar para o cinema. Durante os quase 3 anos de faculdade não tinha tempo para me dedicar ao cinema, fiquei bastante por fora, mas agora e com esse blog... Quero conhecer o cinema latino-americano e o cinema indiano, talvez ano que vem eu vá morar em Buenos Aires, quero muito isso, conhecer a gastronomia deles, o cinema, aprender a falar outra língua. Quem sabe consiga estudar lá!


Então, esse foi um resumo bastante superficial da minha biografia. Mas agora eu realmente quero saber de você! Quem é você que lê o meu blog? Estuda cinema? Não estuda? Tem blog?Faz o quê da vida? Mora onde? Qual sua ligação com o cinema, qual teu interesse?