20 de mai de 2008

Jogo de Cena (Eduardo Coutinho - 2007)


23 mulheres respondem a um anúncio de jornal e contam a história de suas vidas, que posteriormente é interpretada por atrizes. Dirigido por Eduardo Coutinho (O Fim e o Princípio) e com Marília Pêra, Andréa Beltrão e Fernanda Torres no elenco.

Gênero: Documentário
Duração: 105 min.
Fotografia: Jacques Cheuiche
Edição: Jordana Berg

Elenco: Marília Pêra, Andréa Beltrão, Fernanda Torres, Aleta Gomes Vieira, Claudiléa Cerqueira de Lemos, Débora Almeida, Gisele Alves Moura, Jeckie Brown, Lana Guelero, Maria de Fátima Barbosa, Marina D'Elia, Mary Sheyla e Sarita Houli Brumer.

Curiosidades
- É o 10º longa-metragem dirigido por Eduardo Coutinho.
- Exibido na mostra Première Brasil, no Festival do Rio 2007.

Jogo de Cena é o décimo longa-metragem de Eduardo Coutinho, um dos maiores documentaristas brasileiros em atividade. É também a sua quinta parceria com a produtora Videofilmes. Depois de um início de carreira dividido entre a ficção e o documentário, Coutinho optou pelo segundo a partir de uma profícua passagem pelo programa Globo Repórter, na década de 70. Cabra Marcado para Morrer (1964-1984), seu acerto de contas com a História e com um projeto do passado, tornou-se um grande clássico do cinema brasileiro. Mais recentemente, iniciou uma fase muito produtiva com a realização seguida de cinco filmes em seis anos: Santo Forte (1999), Babilônia 2000 (2000), Edifício Master (2002), Peões (2004) e O Fim e o Princípio (2005). A solidez do método de Coutinho e sua sensibilidade para ouvir pessoas comuns são fruto de laboriosa reflexão sobre o seu ofício ao longo de inúmeros documentários em vídeo realizados nas décadas de 80 e 90, entre os quais se destacam Santa Marta: Duas Semanas no Morro (1987) e Boca de Lixo (1992).

"Linha de Passe" é bem avaliado pela crítica em Cannes

SILVANA ARANTES
da
Folha de S.Paulo, em Cannes (19/05/2008 - 10h29)

Depois de calorosa acolhida do público em sua estréia, no sábado, o filme brasileiro concorrente à Palma de Ouro "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas, recebeu ontem elogios da crítica internacional no Festival de Cannes.

"Sólido e envolvente" foi como o crítico Jonathan Romney, da revista inglesa "Screen", adjetivou o longa, por evocar "a dureza que é manter corpo e mente juntos na maior cidade brasileira [São Paulo]" e oferecer "uma alternativa mais realista aos românticos e estilizadamente cintilantes filmes com os quais o cinema brasileiro vem sendo identificado".

"Linha de Passe" segue o cotidiano de uma família de trabalhadores da periferia paulistana. "[Merece] Cumprimentos o conjunto de boas atuações que torna altamente singular cada membro da família", assinala Debora Young, da "Hollywood Reporter". A resenha da "Variety", por Todd McCarthy, também se refere ao retrato que o "Linha de Passe" faz dos jovens que buscam uma saída para a pobreza sem cair no crime como uma visão "alternativa" adotada pelo filme, que "toca em temas sérios sem sublinhar sua autoimportância".

Salles disse à Folha que "não houve intenção de ir contra uma tendência do cinema brasileiro, e sim de falar de uma parte da juventude que não era retratada". Ele se refere aos jovens da periferia que não têm envolvimento com a criminalidade. "O mundo das estatísticas [de violência] é diferente do mundo da rua", afirmou.

"Linha de Passe" foi filmado na Cidade Líder, em São Paulo. "Não há figurantes", diz Thomas. Os personagens laterais -jovens aspirantes a uma carreira no futebol e evangélicos- reencenam situações comuns à sua biografia, como a participação nas "peneiras" dos clubes para a seleção de jogadores ou em cultos religiosos. Para Salles, "há indícios de que o cinema voltou a ter relação direta com a realidade" e de que os filmes da competição em Cannes refletem "o desejo dos cineastas de falar do seu tempo".

Os dois longas exibidos ontem na disputa corroboram tal afirmação. O italiano "Gomorra", de Matteo Garrone, adapta o best-seller "Camorra", de Roberto Saviano, sobre as operações criminosas e o poderio econômico dessa organização mafiosa. Por conta das denúncias, Saviano foi ameaçado de morte e vive sob proteção. O autor foi a Cannes com esquema de segurança reforçado.

O filipino "Serbis" (serviço, como programa sexual), de Brillante Mendoza, entrelaça tipos urbanos em Manila, a partir da história de uma família que vive num híbrido de casa e cinema pornô, onde casais gays têm encontros sexuais.

19 de mai de 2008

Blindness (Fernando Meirelles - 2008)

Ensaio Sobre a Cegueira [Em Produção]
(Blindness, Brasil, Canadá, Japão, 2008)

Status: Completo
Títulos Alternativos: Cegueira
Gênero: Drama, Suspense
Tipo: Longa-metragem / Colorido
Palavras-Chaves: Doença inesperada, Caos, Amor, mais...
Distribuidora(s): Fox Film
Produtora(s): Rhombus Media, O2 Filmes, Bee Vine Pictures

Diretor(es): Fernando Meirelles
Roteirista(s): José Saramago, Don McKellar
Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura, Don McKellar, Maury Chaykin, Mitchell Nye, Danny Glover, Gael García Bernal, Sandra Oh, Martha Burns, Michael Mahonen, Nadia Litz, Joe Pingue

A esposa de um médico é a única pessoa capaz de enxergar numa cidade onde todas as pessoas são misteriosamente tomadas por uma repentina cegueira. O fato acaba criando o caos e a desordem entre a população. Adaptação do romance escrito por José Saramago e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura.

Meirelles admite que 'Blindness' é sombrio demais para abrir Cannes

Blindness (Ensaio Sobre a Cegueira) levou visões apocalípticas da sociedade em colapso ao Festival de Cinema de Cannes nesta quarta-feira, e o diretor Fernando Meirelles admitiu que o cenário sombrio que ele fez da humanidade foi uma escolha estranha para abrir o glamouroso evento francês.

Foi uma inauguração séria dos 12 dias de filmes, entrevistas, iniciativas publicitárias e festas no resort da Riviera francesa, que se orgulha de promover o cinema alternativo tanto quanto de receber a realeza de Hollywood em seu tapete vermelho.

Ensaio Sobre a Cegueira é uma adaptação do romance homônimo do premiado com o Nobel José Saramago e conta a história de uma epidemia de cegueira que varre o mundo.

Julianne Moore faz a mulher de um médico que, como o público do filme, consegue enxergar a morte, a crueldade e a degradação que a cercam. Pouco a pouco, ela se conscientiza da responsabilidade que sua posição singular lhe impõe.

"Nós nos achamos tão fortes, sofisticados e sólidos", disse Meirelles a jornalistas depois da exibição do filme para a imprensa. "Mas então uma coisa dá errado e tudo desaba."

"Patinamos sobre gelo fino. Qualquer coisa pode acontecer e acontece", continuou o diretor, que ganhou fama mundial com Cidade de Deus. A estréia oficial do filme será esta noite.

Meirelles e o roteirista Don McKellar disseram que se sentiram inspirados pelo fato de o romance de Saramago aparentemente refletir os desastres naturais da vida real, as doenças e nossos temores recentes com segurança alimentar.

Fernando Meirelles disse que abrir o festival de Cannes é uma honra e também uma pressão, mas acrescentou: "Para ser franco, acho que este não é o melhor filme para abrir um festival".

Boa parte do filme é ambientada num asilo abandonado nas proximidades de uma cidade não identificada. As autoridades em pânico encerram ali a vida de pessoas atingidas pela contagiosa "doença branca" - assim chamada porque os cegos enxergam tudo branco, e não negro.

Um sistema de vida operacional, apesar da miséria humana, derrapa quando um dos detentos - o mexicano Gael Garcia Bernal - decide aplicar a lei com suas próprias mãos.

Em meio à anarquia resultante, atrocidades são cometidas e, quando os detentos se libertam, Moore descobre que o resto da cidade não está se saindo muito melhor que eles.

"Agimos como pessoas civilizadas porque temos comida, temos tudo bem estabelecido", disse Meirelles. "Basta perdermos isso para vir à tona o que realmente somos por baixo."

Quarta, 14 de maio de 2008, 13h04 (terra.com.br)

Saramago gostou "muito, muito, muito" de "Blindness", adaptação do "Ensaio sobre a Cegueira"

Lisboa, 18 Mai (Lusa) - O escritor português José Saramago disse hoje ter "gostado muito" da obra "Blindness", adaptado do seu romance "Ensaio sobre a Cegueira", classificou-a como "um grande filme" e confessou que chegou a emocionar-se com algumas cenas.

"Gostei muito, muito, muito. Emocionei-me algumas vezes", disse o Nobel da Literatura, destacando uma "cena breve" em que nove mulheres passam atrás de uma janela em fila indiana.

"Talvez possam ser como a representação do destino ou da história da mulher ao longo dos tempos", acrescentou o autor que viu o filme numa sessão privada, sábado à noite.

José Saramago falava aos jornalistas durante uma conferência de imprensa conjunta com o realizador de "Blindness", o brasileiro Fernando Meirelles, que ocorreu no Palácio Nacional da Ajuda, onde está patente a exposição "José Saramago. A Consistência dos Sonhos", que ambos visitaram.

Sublinhando que a adaptação e o guião do filme estão muito bem feitos, o escritor afirmou que "Blindness" agradou-o "em todos os aspectos".

Perante os jornalistas, Saramago confessou o fascínio que tem pelo personagem do cão que lambe as lágrimas de uma mulher e admitiu que teria gostado que o animal escolhido para o filme fosse maior.

"Podiam esquecer tudo, mas gostava de entrar na história como o criador do cão das lágrimas. Confesso que aquele não é exactamente o que imaginei. E numa situação daquelas, de uma cidade reduzida ao caos, o cão não podia ser um cachorrinho", disse.

Para o escritor, o animal escolhido "não tem a potência dramática que tentou dar àquele personagem".

Questionado se conversou com Fernando Meirelles durante as filmagens de "Blindness", o Nobel da Literatura disse que se encontrou apenas com o realizador brasileiro no início do processo.

"Tenho o princípio de não interferir no trabalho de quem está a fazer o trabalho. Não gosto de dar sentenças. O realizador tinha de se sentir totalmente livre. Não era eu que lhe ia bater no ombro e dizer o que fazer. Não queria que qualquer palavra minha pudesse ser interpretada como a expressão de qualquer minha vontade", afirmou o escritor.

Quanto à possibilidade de Fernando Meirelles adaptar outro livro seu ao cinema, José Saramago disse que "não há nenhuma razão" para o realizador brasileiro ficar "agarrado" à sua obra, mas "se algum lhe interessar, conversaremos".

Num comentário às críticas pouco favoráveis que saíram do Festival de Cannes, onde "Blindness" foi o primeiro filme a ser exibido, o Prémio Nobel desvalorizou as opiniões dos críticos de cinema afirmando que o que os distingue de um qualquer apreciador de cinema é o facto de terem a possibilidade de publicar a sua opinião.

Por seu lado, o realizador brasileiro disse que houve "críticas boas e ruins", mas confessou que estava mais ansioso por ouvir a opinião de José Saramago.

"Estava mais ansioso do que quando mostrei o filme para três mil pessoas em Cannes", afirmou aos jornalistas, mostrando-se satisfeito por "Blindness" ter agradado a Saramago.

Questionado sobre se iria adaptar outra obra do autor português, Fernando Meirelles disse que dá sempre "um passo depois do outro" e não sabe o que vai fazer a seguir.

No entanto, admitiu que tem vontade de "fazer uma coisa mais leve", talvez uma comédia.

"As preocupações sociais fazem parte do meu universo de atenção. Mas agora queria trabalhar num assunto leve. Tenho feito filmes com temática muito dramática e queria uma coisa mais leve, como uma comédia", afirmou.

Quanto ao "Blindness", que chegará a Portugal em Novembro, Fernando Meirelles disse que a versão mostrada em Cannes é a 11ª edição montada do filme, que "ainda não está acabado".

"Como fomos fazer a abertura tivemos de o apressar, mas vai ter um último acerto e a versão que vai chegar a Portugal em Novembro não vai ser igual", afirmou.

Sobre a exposição que hoje visitou durante cerca de uma hora com o Nobel da Literatura, o realizador brasileiro mostrou-se surpreendido "pelo volume" da vida de Saramago.

"É perceber a história de uma vida. É muito emocionante perceber uma vida, ver o seu lado de inteligência, de política, de artista e de pai de família que tem de traduzir para trabalhar", disse.

MCL.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-05-18 16:05:03

18 de mai de 2008

Dez anos após 'Central do Brasil', ator volta ao cinema

Quem não se lembra do Josué, aquele menininho que encantou o público em “Central do Brasil”? Agora, dez anos depois do estouro do filme premiado em Berlim e indicado ao Oscar, o ator Vinícius de Oliveira volta ao cinema como protagonista em “Linha de passe”, que estréia no próximo sábado (17) no Festival de Cannes.

O diretor é o mesmo, Walter Salles, que apostou no talento de Vinícius quando ele ainda trabalhava como engraxate nas ruas. Mas a experiência de voltar ao set do cineasta uma década depois foi completamente diferente: “Em ‘Central’ ele foi mais paizão do que diretor, já em ‘Linha de passe’ teve outra postura”.

No novo filme de Salles, Vinícius interpreta Dario, um garoto que sonha virar jogador de futebol profissional, “uma figura tipicamente brasileira”, de acordo com o ator. Para interpretar o esportista, Vinícius dedicou quatro anos aos treinos e chegou a jogar com o time de juniores do Palmeiras. “Nunca fui um perna-de-pau”, brinca.

Em entrevista ao G1, Vinícius de Oliveira, de 22 anos, conta detalhes dos bastidores de “Linha de passe”, relembra sua experiência em “Central”, revela sua paixão pelo futebol e fala dos planos para o futuro. “Acho que tirei a sorte grande, mas também fiz por onde”, diz o ator, que apesar de saber o que quer, não esconde a timidez.

O que o público pode esperar do seu retorno ao cinema?

Vinícius de Oliveira – Um ator mais maduro e sólido, porque em “Central do Brasil” eu era um menininho e era a primeira vez. Eu tinha a espontaneidade a meu favor, mas não sabia direito o que estava fazendo. Hoje ainda me sinto aquele molequinho, mas talvez um pouco melhor. Eu era muito chato, sisudo, encrenqueiro, muito chatinho. Melhorei muito (risos).

Como foi voltar a estrelar um filme dez anos depois de 'Central'?

Vinícius – Foi natural. O Walter ia voltar a filmar no Brasil e disse que queria que eu fizesse o protagonista. Ele perguntou: “vamos lá?”. E eu respondi: “vamos”.

Como você descreveria o seu personagem em 'Linha de passe'?

Vinícius – O Dario é uma figura tipicamente brasileira: batalhador e sonhador. Desde cedo ele sonha ser jogador de futebol, mas hoje em dia ter talento apenas não basta. Tem que lutar para conseguir o que quer. Essa vontade de vencer nós temos em comum.

Como foi a preparação para viver o Dario?

Vinícius – Queria deixar bem claro que apesar de ter me preparado durante quatro anos para fazer um jogador de futebol, nunca fui um perna-de-pau (risos). Sempre joguei bem, não sou peladeiro. Comecei jogando na escolinha do Zico, onde fiquei alguns anos para pegar um profissionalismo no campo, o que o personagem exigia. Mais perto das filmagens, fui para São Paulo e treinei no time de juniores do Palmeiras. Foi muito prazeroso.

Quando começou essa sua relação com o futebol?

Vinícius – O futebol sempre foi uma paixão elevada na minha vida. Antes dessa história de ser ator, o meu sonho era ser jogador. Tudo que eu queria era estar na seleção brasileira, entrando em campo. Depois acabei desistindo.

Como foi voltar ao set de filmagem de Walter Salles dez anos depois?

Vinícius – O trabalho na época foi difícil, porque eu não sabia o que eu estava fazendo. Não entendia aquele processo todo. Como eu era o iniciante, o Walter foi mais paizão meu do que diretor. Já em “Linha de passe” ele teve outra postura, foi mais paizão da galera que estava entrando, apesar de sempre estar do meu lado. Na verdade, ele contou comigo para dar apoio aos meninos que estão começando agora.

Você foi selecionado para 'Central' de uma forma inusitada. Como você vê hoje o seu primeiro encontro com o diretor?

Vinícius – Eu estava trabalhando no aeroporto engraxando sapatos, e o Walter estava parado numa lanchonete. Eu resolvi parar e pedir para ele me pagar um lanche. Enquanto eu comia, ele ficou me observando, reparando no meu jeito e veio perguntar se eu queria fazer um teste. Eu respondi que tudo bem, mas não fui no teste, esqueci completamente. Até que um dia chegam duas pessoas me procurando no aeroporto. No início fiquei até com medo, mas acabei indo e deu tudo certo. Foi um momento inesperado, especial.

Como foi voltar à vida de menino normal depois do sucesso internacional de 'Central', com a vitória no Festival de Berlim e a indicação ao Oscar?

Vinícius – Foi muito tranqüilo. Não sou muito fã desse estrelismo, da fama, não gosto de muita agitação. Sou muito tímido para isso, prefiro ficar na minha.

E como é sua vida hoje?

Vinícius – Estudo na Puc e moro com meu tio em Jacarepaguá (Zona Norte do Rio). Meus pais são separados e também moram na cidade. Tenho quatro irmãs mais novas e um irmão mais velho. E continuo solteiro, porque as mulheres do Rio são muito difíceis, bem difíceis (risos).

Por onde você andou durante essa década entre 'Central' e 'Linha'?

Vinícius – Quando eu topei fazer “Central”, fizemos um acordo de que a produtora pagaria meus estudos até o fim. Por isso, agora eu estou no primeiro período da faculdade de Cinema. Fiz a novela “Suave veneno”, no TV Globo, um pouco de teatro e umas coisinhas aqui e ali. Não queria que o trabalho atrapalhasse meus estudos.

Você pretende continuar como ator ou pretende seguir outra carreira dentro do cinema?

Vinícius – Quero ser diretor. Acho que tem mais a ver comigo. Prefiro estar atrás das câmeras.

Por quê?

Vinícius – Por causa da vergonha, sou muito tímido.

E o Walter Salles, ele sabe disso?

Vinícius – Sabe, claro. Na verdade, a idéia foi dele. Bom, pelo menos eu já tenho um bom padrinho. Um ótimo padrinho, né? (risos)

O que você planeja para o futuro?

Vinícius – Espero poder passar minhas idéias através dos meus filmes. Sou uma pessoa muito do bem, muito pacífica e reflito muito sobre tudo de ruim que está aí fora. As injustiças me incomodam muito, e quero poder fazer minha parte nessa luta. Tenho essa responsabilidade, essa missão.

O que você está esperando da estréia de 'Linha de passe' em Cannes?

Vinícius – Apenas que o público goste do filme. Fora isso, só a indicação já foi ótimo. Foi a melhor coisa do mundo. Me considero um felizardo.

Hoje, como você vê essa sua trajetória, de menino engraxate a ator a caminho de Cannes?

Vinícius – Acho que, num primeiro momento, eu tirei a sorte grande. Mas eu também fiz por onde e soube aproveitar essa oportunidade que a vida me deu.

Fonte: G1 (18/05/2008 23:42h)

Assista ao trailer do filme 'Cada um com seu cinema' ('Chacun son cinéma')

Filme colaborativo de Walter Salles, Gus Van Sant, Manoel de Oliveira e outros. Longa feito por diretores de todo o mundo sobre a sala de cinema. Para comemorar os 60 anos do Festival de Cannes.


Diretores importados

Novo filme de Fernando Meirelles disputa a Palma de Ouro em Cannes

Walter Salles mostra seu novo filme em Cannes

Fernando Meirelles leva obra de Saramago para Cannes

Arnaldo Jabor analisa as inspirações e o sucesso do cinema brasileiro

17 de mai de 2008

Entrevista de Rodrigo Santoro na inauguração do Festival em Cannes

Trailler de Blindness - Ensaio sobre a Cegueira

Novo filme de Meirelles tem recepção fria em Cannes

Orlando Margarido
Direto de Cannes
Fonte: terra.com.br


O 61º Festival de Cinema de Cannes começou oficialmente com a exibiçãode Ensaio sobre a Cegueira, ou Blindness, o título original do filme do brasileiro Fernando Meirelles. Mas a imprensa já assistiu a esse primeiro filme da competição para a Palma de Ouro.

A recepção fria, sem aplausos, dá uma medida talvez da complexidade da produção em dialogar com o grande público que procura uma apreensão dividida por Meirelles em seu blog. Conta ponto para esse interesse a presença de astros internacionais como Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal e Danny Glover, além da atuação da brasileira Alice Braga.

"Esse filme foi mais ou menos como andar na corda bamba", disse o cineasta de Cidade de Deus ao Terra. "É um bom projeto para quebrar a cara e mesmo agora, com o filme pronto, ainda fico esperando alguma coisa errada acontecer, estou sempre inseguro com ele", completou o diretor.

Acompanhado do elenco principal, exceto Ruffalo, e do roteirista e também ator na fita Don Mckellar, Meirelles confirmou muito do que já havia dito anteriormente. Foram dez edições até que a montagem desta adaptação do livro homônimo do português José Saramago estivesse pronta. Uma das questões mais questionadas por sessões especiais da fita foi a violência de cenas, como as de estupro e uma morte por facada.

Contribuiu muito para um ponto final, segundo o diretor, o convite do festival enviado na última hora para a fita abrir a competição da mostra francesa, numa rara situação na história de Cannes em que um filme de abertura concorre a Palma de Ouro. "De qualquer maneira, uma hora a coisa teria de acabar", disse. "Cada dia somos uma pessoa diferente, então se deixarmos podemos ficar montando por anos a fio; coloquei um pouco de racionalidade no processo e parei."

Na história de Ensaio sobre a Cegueira, co-produção entre Brasil, Canadá e Japão, uma epidemia começa a deixar cegos os habitantes de uma grande cidade - o cenário da fita inclui São Paulo com uma direção de arte impressionante - sem nenhuma explicação lógica. Aos poucos, eles são retirados da convivência social e aprisionados num hospital desativado. Entre eles, está o oftalmologista vivido por Ruffalo e sua mulher, interpretada por Julianne Moore, a única que mantém a visão, mas decidi acompanhar o marido na reclusão.

Ali, trancafiados, os cegos passam a ter uma convivência subumana. "Foi um processo muito doloroso e difícil para todos nós do elenco imaginar uma tragédia dessas, não só se tornar cego de uma hora para outra, mas ter de lutar pela sobrevivência, comida e, acho o que mais me abalou, pela dignidade", disse Julianne Moore, que está loira no filme. "Achei que a personagem tem uma espécie de missão angelical na primeira parte do filme, por isso falei da idéia de pintar o cabelo; o vermelho só iria aguçar mais a aparência de inferno do local."

Meirelles já havia contado ao Terra do que o atraiu no livro para decidir adaptá-lo. "A idéia da fragilidade de nossa civilização, que consideramos tão sólida e sofisticada; o filme nos lembra que somos animais primitivos com um leve verniz de civilidade; ao raspar-se esse verniz, o fulano mata o outro no congestionamento, invade o Iraque...". Don McKellar completou: "O filme é uma alegoria do colapso de nosso tempo".

Na saída da primeira exibição da fita, não era acerca disso os comentários preferidos dos jornalistas. Muitos falaram da bela fotografia de César Charlone, outros da boa atuação do elenco, mas levantaram a idéia de que o filme por vezes não consegue soar plausível e isso condenaria a seriedade.


16 de mai de 2008

O famoso Tapete Vermelho, em Cannes

Prédio onde o Festival de Cannes é realizado atualmente

Festival de Cannes

O Festival de Cannes, criado em 1946, conforme concepção de Jean Zay, e até 2002 chamado Festival international du film, é o mais prestigiado e famoso festival de cinema do mundo. Acontece todos os anos, no mês de maio, na cidade francesa de Cannes.

O "mercado do filme" (marché du film) acontece paralelamente ao festival.

História

No final dos anos 1930, chocado pela ingerência dos governos fascistas alemão e italiano na seleção dos filmes da Mostra de Veneza, Jean Zay, ministro da Instrução pública e de Belas Artes, propõe a criação, em Cannes, de um festival cinematográfico de nível internacional. Em junho de 1939, Louis Lumière aceita ser o presidente da primeira edição do festival, que deveria acontecer do 1 ao 30 de setembro. A declaração de guerra da França e do Reino Unido à Alemanha em 3 de setembro põe fim prematuramente a essa decisão, apesar de o prêmio ter sido atribuído a Union Pacific, de Cecil B. DeMille.

A primeira edição do festival aconteceu realmente em 1946. O festival não aconteceu em 1948 e 1950 por problemas financeiros. Em 1955, foi introduzida pelo comitê organizador a Palma de Ouro como prêmio principal do evento - antes desta data, ele era conhecido como Grand Prix du Festival international du Film.

O festival de 1968 foi interrompido em 19 de maio. Na véspera, Louis Malle, demissionário do júri, François Truffaut, Claude Berri, Jean-Gabriel Albicocco, Claude Lelouch, Roman Polanski e Jean-Luc Godard, ao penetrarem na grande sala do Palácio, haviam exigido a interrupção da projeção em solidariedade aos operários e estudantes em greve.

A edição de 2006 teve júri presidido pelo cineasta chinês Wong Kar Wai (de Amor à Flor da Pele e 2046). O prêmio principal, esperado para o mexicano Alejandro González Iñárritu (que ganhou o troféu como melhor diretor por [[Babel (filme)|Babel), acabou saindo para o realizador inglês Ken Loach, com The Wind That Shakes the Barley. Com isso, o Reino Unido empatou em quantidade de prêmios Palma de Ouro com a França (nove). Um dos destaques do evento foi o longa português Juventude em Marcha, de Pedro Costa.

Brasil e Portugal em Cannes

  • 1953 - Melhor Filme de Aventura - O Cangaceiro, de Lima Barreto.
  • 1962 - Palma de Ouro - O Pagador de Promessas, dirigido pelo brasileiro Anselmo Duarte, primeiro filme em língua portuguesa a receber o principal prêmio de Cannes.
  • 1967 - Prêmio da Crítica Internacional - Terra em Transe, de Glauber Rocha.
  • 1969 - Melhor Direção - Glauber Rocha, por O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro.
  • 1977 - Prêmio Especial do Júri - curta-metragem - Di Cavalcanti, de Glauber Rocha.
  • 1982 - Melhor Curta-Metragem de Animação - Meow, de Marcos Magalhães.
  • 1986 - Melhor Interpretação Feminina - Fernanda Torres, por Eu Sei que Vou Te Amar, de Arnaldo Jabor.
  • 1997 - Prêmio da Crítica Internacional - Viagem ao Princípio do Mundo, de Manoel de Oliveira.
  • 1999 - Prêmio Especial do Júri - A Carta, de Manoel de Oliveira.
  • 2002 - Primeiro Prêmio Cinéfondation (para filmes universitários de até 60 minutos) - Um Sol Alaranjado, de Eduardo Valente.

Seções do Festival de Cannes

A seleção oficial
  • Longa-metragens em competição (Longs métrages en compétition)
  • Longa-metragens fora de competição (Longs métrages hors compétition)
  • Um certo olhar (Un certain regard)
  • Curta-metragens em competição (Courts métrages en compétition)
  • Cine-fundação (Cinéfondation)
As seções paralelas
  • A Semana da crítica (La Semaine de la critique)
  • A Quinzena dos diretores (La Quinzaine des réalisateurs)

Prêmios

Longa-metragens da competição oficial
  • A Palma de Ouro (Palme d'or) recompensa o melhor filme.
  • O Grande prêmio (Grand Prix) recompensa o filme que manifesta a maior originalidade ou espírito de pesquisa.
  • O Prêmio de interpretação feminina (Prix d'interprétation féminine) recompensa a melhor atriz.
  • O Prêmio de interpretação masculina (Prix d'interprétation masculine) recompensa o melhor ator.
  • O Prêmio de adaptação (Prix de la mise en scène) recompensa o melhor diretor.
  • O Prêmio de cenário (Prix du scénario) recompensa o melhor cenarista.
  • O Prêmio do Júri (Prix du jury)
Curta-metragens da competição oficial
  • A Palma de ouro do curta-metragem (Palme d'or du court métrage) recompensa o melhor curta-metragem.
  • O Prêmio do júri (Prix du jury du court métrage)
Seleção oficial (competição e Un certain regard), a Quinzena dos diretores e a Semana da crítica
  • Câmera de ouro (Caméra d'or) recompensa o melhor primeiro filme do conjunto dessas seções.

"Macunaíma" representa o cinema nacional no Festival de Cannes

A edição deste ano da Quinzena dos Realizadores, uma das mostras do Festival de Cannes, trará uma retrospectiva dos 40 anos de sua realização. Entre os filmes selecionados há apenas um longa-metragem brasileiro: Macunaíma. Outros selecionados foram "Caminhos Violentos", de Martin Scorsese, e "O Império dos Sentidos", de Nagisa Oshima. (O Globo)

Mais um filme brasileiro é selecionado para o Festival de Cannes

Uma das novidades de última hora foi o convite a mais um longa-metragem brasileiro, o documentário "O Mistério do Samba", de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda. O filme, co-produção entre a Conspiração Filmes e a Phonomotor, será exibido no último dia do festival, fechando a mostra Cinéma de la Plage. No Brasil, a previsão é que sua estréia ocorra no 2º semestre.

Começa o Festival de Cannes

Teve início dia 14 o 61º Festival de Cannes, o maior festival de cinema do planeta. A abertura foi com a co-produção brasileira "Ensaio Sobre a Cegueira", dirigido pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles e baseado em livro homônimo de José Saramago, que dividiu a imprensa americana e européia. Outros filmes que estarão presentes na mostra competitiva são "Changeling", de Clint Eastwood; "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas; e "Che", de Steven Soderbergh.