16 de abr de 2008

Tropa de Elite

'Tropa de elite' leva oito prêmios na festa do cinema brasileiro mas perde o de melhor filme




RIO - O longa ''Tropa de elite'', de José Padilha, levou oito prêmios na festa dos melhores da Academia Brasileira de Cinema, mas o de melhor filme foi para "O ano em que meus pais saíram de férias", de Cao Hamburger. "Tropa" foi eleito o melhor filme pela votação popular, uma novidade deste ano, com um total de 40 mil votos pelos celulares do patrocinador, a operadora Vivo.

Na festa da noite desta terça no Vivo Rio foi homenageado in memoriam o ator Grande Otelo, que passou a emprestar seu nome para o troféu, e, em vida, o ator, diretor e produtor Renato Aragão pelo conjunto da obra, 47 filmes em 40 anos.

O diretor de "Tropa de elite" José Padilha não foi por estar adoentado. O produtor Marcos Prado disse no palco que era dengue, mas depois afirmou que tinha falado com o diretor e este lhe dissera que não era a dengue. Prado disse que agora vai se concentrar no lançamento do filme nos Estados Unidos no segundo semestre, mas antes ele será exibido fora da competição no Festival de Tribeca, que acontece de 23 de abril a quatro de maio em Nova York.

Cao Hamburger, diretor de "O ano em que meus pais saíram de férias" disse que a vitória como melhor filme foi uma grande surpresa devido à "cadência da premiação" que apontava para "Tropa de elite". Observou que o mais importante era a festa de confraternização, enquanto Prado comemorava a noite como uma prova do "vigor da retomada"

A cerimônia apresentada por Drica Soares e Vladimir Brichta teve alguns problemas técnicos como mau posicionamento de câmeras na hora de mostrar, ainda na platéia, os ganhadores e os microfones estavam sempre fechados na hora em que os premiados começavam a agradecer, o que fazia o público e os telespectadores do Canal Brasil, que transmitiu ao vivo, perderem algumas palavras.

Os dois apresentadores tiveram que ler seu script em fichas, o que tirou um pouco da espontaneidade. Havia teleprompter apenas para quem ia anunciar e entregar os prêmios. O telão, redondo como se fosse o mostrador de um relógio, não permitia uma boa visão das projeções. A cerimônia tem pelo menos a vantagem de ser curta, menos de duas horas, sem a superprodução destes prêmios na América.

A noite teve algumas frases eloqüentes sobre o cinema. Cacá Diegues, na abertura, citou Eisenstein que definiu a sétima arte como "a mais bela invenção do imaginário humano". E prosseguiu com afirmações do poder do cinema sobre o espaço e o tempo, sobre como "nos torna sábios e heróis", como é o "lugar da eternidade onde os jovens são eternamente jovens". Tudo isso com um fundo de imagens em preto e branco da história do cinema no Brasil.

Na homenagem a Grande Otelo, Hugo Carvana mostrou imagens da carreira do ator com o lembrete de que "relembrar é uma forma de manipular o tempo". Ele indicou a presença de filhos de Otelo, mas a câmera chegou tarde, a platéia estava às escuras e nada se enxergou.

Um novo prêmio de preservação do cinema foi entregue ao Centro de Pesquisadores do Cinema, entidade fundada há 35 anos por Paulo Emilio Salles Gomes. Carlos e Myrna Brandão receberam o prêmio e Carlos afirmou que "preservar os filmes é preservar nossa identidade cultural". Daniel Filho apresentou a homenagem à personalidade do cinema para o cearense Renato Aragão, historiando em palavras e no telão, a carreira de 47 filmes ao longo de 40 anos. Muito emocionado, Renato subiu ao palco e deu um longo abraço em Daniel:

- Estou muito feliz e não podia ser diferente. Este é especial porque vem do cinema. Eu fiz televisão como meio de sobrevivência, mas vim para o Rio fazer cinema. Já fui herói, vilão, pirata, os bandidos me batiam de um lado e a crítica de outro. E quanto mais batiam mais aumentava a bilheteria. O verdadeiro herói é o cinema nacional, que caiu e se levantou de novo. O cineasta é um verdadeiro guerreiro, não se deixa abater nunca," disse Renato.

Ao receber o prêmio de melhor ator, Wagner Moura disse que "Tropa de elite" trata do problema mais urgente no Brasil atual, a segurança pública, e reiterou que não se combate a violência apenas com a polícia. E ainda confessou que só foi da Academia Brasileira de Cinema por dois anos porque esqueceu de pagar. E que, nesses dois anos, sempre votou nele mesmo: "E nunca ganhei".

O vencedor de curta metragem de ficção por "Beijo de sal", Fellippe Barbosa, agradeceu ao amigo Antonio que lhe emprestou o terno que usava. E o vencedor do curta de animação ''Vida Maria'', Márcio Ramos, afirmou que cada prêmio era uma surpresa porque fez tudo sozinho e este era o 41º troféu que levava para casa em Fortaleza.

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