21 de abr de 2008

Batalha dos Guararapes, O Príncipe de Nassau (Paulo Thiago - 1978)


"O filme faz uma reconstituição dos principais episódios da batalha entre holandeses e luso-brasileiros nas cercanias de Recife/PE. Revela quais as forças econômicas e políticas que moveram aquele período, em vez de desmistificar os heróis do episódio. O pano de fundo e o nascimento do capitalismo mercantil." Início do século XVII. Os holandeses ocupam o arraial do Bom Jesus, último reduto dos nativistas na capitania de Pernambuco. O aventureiro João Fernandes Vieira decide aderir aos dominadores, opondo-se à resistência de André Vidal de Negreiros. Ligando-se ao conselheiro, representante máximo dos interesses da Companhia das Índias Ocidentais na capitania, Vieira torna-se cobrador de impostos, enriquece e tem um romance rumoroso com a viúva Ana Paes, que lutara ao lado dos nativistas.Favorece-lhe a ascensão sua amizade com Maurício de Nassau. Este, no governo, revela-se um estadista de larga visão política e cultural mas suas idéias chocam-se com os interesses da Companhia criando sucessivas crises econômicas e políticas. Sentindo a gradativa diluição do poderio de Nassau, Vieira une-se à luta para a expulsão dos holandeses, com o auxílio de frei Salvador. Em posição delicada, Nassau tenta um último ato de participação com a festa do Boi Voador, medida de abertura econômica aos brasileiros e política, permitindo que Vidal de Negreiros - que entrara clandestinamente no Recife - entregue-lhe uma carta do rei de Portugal. Nassau é destituído e Vieira parte para o interior. Deixa Ana mais uma vez só, levando-a a aceitar uma ligação com o conselheiro. A guerra se avizinha. Chega afinal o esperado apoio de Portugal e os holandeses são derrotados em Guararapes pelas tropas nativistas, com o auxílio dos escravos revoltosos de Henrique Dias e os índios de Felipe Camarão. Ana e Vieira reencontram-se, reconhecendo estarem definitivamente separados.

Curiosidades

- Trata-se de uma superprodução nacional que teve a participação de 120 atores e mais de 3 mil figurantes sob a produção de Carlos Henrique Braga, um ex-oficial da Marinha, também empresário.

- É considerada a primeira superprodução brasileira, representou o Brasil no Festival de Moscou.

- Teve um impacto inegável no meio cultural pernambucano, desencadeando inclusive discussões sobre um possível pólo de cinema.

- Foi rodado em Igarassu, Itamaracá e no próprio Monte Guararapes, com tomadas aéreas.

- A batalha dos Guararapes foi um dos filmes mais caros e ambiciosos já feitos no Brasil. Custou, na época, 3,5 milhões de dólares.

- Foi rodado em Pernambuco, com a ajuda do Exército, em pleno governo do general João Batista Figueiredo.

- Atuação de José Wilker como João Fernandes.

- Também atuaram: Renée de Vielmond (Ana Paes), Jardel Filho (Maurício de Nassau), Joel Barcelos (conselheiro), Jofre Soares (Frei Salvador), Nildo Parente (general von Schkoppe), Roberto Bonfim (Felipe Camarão), José Pimentel (André Vidal de Negreiros), Marcus Vinícius (Henrique Dias), Fausto Rocha Júnior (capitão Tourlon), Tamara Taxman ( Sara Hendricks), Cristina Aché (dona Maria Cezar), Germando Haiut (general Artichofsky), Ednaldo Lucena (Francisco Berenguer), Carlos Reis (George Marc Grave).

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Jornal da Época:


"Batalha dos Guararapes"

O fracasso de bilheteria de "Batalha dos Guararapes". de Paulo Thiago, produção de Cr$ 40 milhões (a mais cara do cinema nacional), lançada simultaneamente em 250 cinemas em todo o País (quatro em Curitiba) é sintomática: veio demonstrar o grande equívoco de nossos produtores, em acreditar que fenômenos isolados como "Dona Flor e Seus Dois Maridos" de Bruno Barreto e "Xica da Silva" de Cacá Diegues, podem ser repetidos com [freqüência]. Como "Batalha dos Guararapes" não faturou nem Cr$ 100 mil em Curitiba, desde segunda-feira, dois dos quatro cinemas que o [exibem] já mudaram o programa: "O Animal", comédia francesa sobre as aventuras de um "stunt-man" (Jean Paul Belmondo) e uma atriz sexy (Raquel Welch) entrou no Cine Rivoli, enquanto que no Vitória - paralelamente ao Bristol e São João - estreou a pornocomédia "O Homem de Itu de José Miziara. O produtor do filme Anibal Massaini Neto e o astro principal, Nuno Leal Maia, estiveram na cidade, badalando a fita que deverá, na opinião de João Aracheski, executivo da Fama Filmes, faturar em sete dias aquilo que "A Batalha dos Guararapes" não conseguirá em um mês". No elenco de "O Bem Dotado/O Homem de Itu" estão atrizes veteranas - como Consuelo Leandro, Lola Brah, Esmeralda de Barros, bem despidas - como Marlene França, Helena Ramos, Aldine Muller, além da bela Ana Maria Nascimento e Silva, que é uma das filhas do ministro da Previdência.

Os melhores programas neste final de semana ficam por conta das sessões da meia-noite e meia no Astor: hoje, a aguardada reprise de "Casa de Bonecas" que Joseph Losey rodou em 1973, baseado na peça de Henryk Ibsen (1822-1906) escreveu em 1879 - e que no teatro, foi vista em Curitiba, há cinco anos passados, com Tonia Carrero e Carlos Kroeber `´a frente do grande elenco. Agora é a maravilhosa Jane Fonda que está na cabeça do elenco desta versão do famoso texto. Amanhã, o penúltimo longa-metragem de Ingmar Bergman, "Face a Face", que mereceria ter um relançamento normal. A propósito, para entender melhor a obra (difícil) do [cineasta] sueco, recomendamos a leitura de "O Cinema Segundo Bergman" (Editora Paz e Terra S/A, 245 páginas, Cr$ 120,00), coleção de 13 entrevistas de Bergman aos críticos suecos Stig Bjorkman, Torsten Manns e Jonas Sima. Com este livro, a Paz e Terra está dando [seqüência] a uma valiosa biblioteca de livros sobre cinema, por onde já apareceram obras de Glauber Rocha, Jean Claude Bernardet, Leif Fuhammar/Folke Isaksson e Ismail Xavier.

No mais, "Laranja Mecânica", de Kubrick no Astor, merece sempre uma revisão.

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Veículo: Estado do Paraná
Caderno ou Suplemento:
Nenhum
Coluna ou Seção:
Cinema
Página:
3
Data:
06/10/1978

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BATALHA DOS GUARARAPES III
Um fracasso de US$ 3,5 milhões

por KLEBER MENDONÇA FILHO

Em 1978, o Cinema Nacional produziu Batalha dos Guararapes, um dos filmes mais caros e ambiciosos já feitos no Brasil. Para terem uma idéia, custou, há 20 anos, US$ 3,5 milhões, enquanto Central do Brasil, hoje, saiu por U$ 2,9 milhões. Foi rodado em Pernambuco, com a ajuda do Exército, em pleno Governo de João Batista Figueiredo.

Teve a participação de 120 atores e mais de 3000 figurantes sob a produção de Carlos Henrique Braga, um ex-oficial da Marinha, também empresário. O filme foi ainda co-filhote da Embrafilme, aqui mais uma vez, e em grande estilo, alvo de todo tipo de crítica em relação à queima de dinheiro público, principalmente depois que o filme transformou-se num enorme fracasso de bilheteria.

Batalha foi dirigido por Paulo Thiago, que fez recentemente Policarpo Quaresma. No Recife, durante o último Festival de Cinema, Thiago lembrou a experiência de fazer o épico, algo que ele descreve como um projeto pessoal do produtor, Braga, que articulou boa parte da verba e também o apoio dos militares. Segundo Thiago, esse ponto colocou a produção automaticamente em rota de colisão com a esquerda, principalmente a Imprensa, afinal de contas, era um filme realizado com o selo de aprovação do governo.

Thiago também revelou que, depois do fracasso nos cinemas, Braga ficou bastante desgostoso e recolheu o filme. Hoje, só ele tem acesso à obra. O próprio diretor tem em casa apenas uma cópia em VHS, do seu filme. Ele crê que, se visto hoje, Batalha dos Guararapes poderia ter uma nova leitura, principalmente pela ausência da questão política.

BATALHA DOS GUARARAPES II - Seria realmente interessante ver o filme hoje, especialmente no seu aniversário de 20 anos, este ano. Sabe-se que a fotografia de Mario Carneiro e música de Guerra Peixe foram destacadas em algumas críticas. No elenco, gente como Jardel Filho, José Wilker, Renée de Vielmond, Roberto Bonfim, a lista é extensa. Poucos atores locais foram utilizados, como Jones Melo, mas a produção deu emprego a muita gente, grande parte como figurantes, muitos deles, diz a lenda, de relógio!

O filme teve um impacto inegável no meio cultural pernambucano, desencadeando inclusive discussões sobre um possível pólo de cinema, aliás uma discussão que está de volta, hoje! Foi rodado em Igarassu, Itamaracá e no próprio Monte Guararapes, com helicópteros da aeronáutica servindo de apoio para tomadas aéreas.

O impacto do filme foi também registrado no curta em Super8 Batalha dos Guararapes II, de Fredi, Geraldo Pinho (hoje, responsável pelo Cinema do Parque) e Paulo André Leitão (hoje, na Rede Tribuna). O filme ganhou o segundo lugar no II Festival de Cinema Super8 do Recife, em novembro de 1978. Trata-se de uma sátira ao épico de Thiago, pois mostrava a batalha do pernambucano, diariamente, tentando ganhar a vida informalmente na nossa famosa avenida.

6 comentários:

Sr. Cponariz disse...

Gostaria de saber se existe algum link para fazer o download deste filme!

Anônimo disse...

Meu amigo este filme é muito,muito,muito chato.
Eu o vi no cinema nesta época, era adolescente, mas sempre gostei de historia do Brasil, quase não aguentei..Há época fiquei mesmo traumatizado com tanta lentidão na narrativa, um verdadeiro purgante interminável. Hoje pra mim fica claro que o filme foi apenas um golpe nos cofres da embrafilme, chancelado por algum general da ditadura militar.
Assisti o filme no extinto cine São Jose - Nova Friburgo/RJ, nesta mesma época.
abraço Ricardo

Anônimo disse...

Já vi o filme e achei muito bom!
Também procuro onde conprar ou baixar este filme!

Anônimo disse...

Se falam que a ditadura censurou muita coisa depois de feito, imagine as patrulhas ideológicas de esquerda (dito pelo próprio Cacá Diegues) que enterraram de vez vários aspectos culturais da nosssa cultura além desse filme. Estes senhores esquerdistas possando de "bons moços" acabaram com a carreira de Wilson Simonal, Benito de Paula e quase íam acabar com Ivan Lins e Caetano Veloso. Mesmo na dita "democracia" eles continuam censurando a carreira daqueles desafetos deles. Por que não se fala mais em Benito de Paula e suas músicas? Por quê não se fla mais de Wilson Simonal e suas músicas? Se Dilma quer a comissão da verdade, queremos que os parentes dessas vítimas da esquerda também digam o que as patrulhas de esquerda fizeram. Ou então não teremos a verdade.

Adm disse...

Tem o filme no YouTube é só procurar.

Xando disse...

Eu assisti esse filme com meu tio que teve uma reve participação no filme. Eu assisti em 79 em Goiana-PE, Cine Polyteama. O nome de meu tio: Luiz Gomes Correia; ele foi um dos espantalhos em " A noite do espantalho" Josué. Eu queria saber se ha um link pra baixar e reassistir esse filme.