26 de abr de 2008

Mandacaru Vermelho


País de Origem: Brasil
Direção: Nelson Pereira dos Santos
Roteiro: Nelson Pereira dos Santos
Fotografia: Hélio Silva
Música: Remo Usai
Elenco: Nelson Pereira dos Santos, Sônia Pereira, Ivan de Souza, MiguelTorres, Jose Telles, Luiz Paulino dos Santos, Mozart Sintra.

Sinopse: Uma moça do Sertão Nordestino passa a noite com um vaqueiro e apaixona-se. Os dois fogem em busca do vigário. A família da jovem vai atrás do casal pois ela já está prometida a outro homem. A perseguição termina de modo violento e do sangue dessa disputa nasce uma árvore, o Mandacaru Vermelho.

Resumo: É uma espécie de bang-bang sertanejo produzido pelo diretor que também é o principal protagonista, para substituir o projeto original que era filmar uma adaptação do livro de Graciliano Ramos – Vidas Secas. Fato é que houve chuvas torrenciais no sertão baiano além de apareceram outros contratempos que determinaram essa substituição.
QUANDO O CINEMA ERA...

FOTOGRAFIA


por João Lopes


Não é preciso recuar muito no tempo para nos lembrarmos das fachadas dos cinemas com gigantescos cartazes e, em particular, das fotografias cartonadas que, nas vitrinas das salas ou junto às bilheteiras, serviam para apresentar os filmes. Hoje em dia, nos multiplexes, o essencial da informação sobre os filmes está num quadro luminoso: luzes a piscar anunciam o título, eventualmente a classificação etária e o horário das sessões. Nasceu mesmo uma franja de público que já não tem qualquer paixão ou expectativa cinéfila: é um público sem gosto específico que escolhe ir ver um filme pelo horário mais próximo ou mais vantajoso...

Dave Kehr, crítico de cinema de The New York Times, faz-nos saber que há todo um revivalismo em torno desses materiais antigos de promoção do cinema, em particular das fotografias cartonadas. Em artigo publicado na American Photo de Março/Abril, Kehr refere o impulso coleccionista que, nos EUA, conferiu novo valor aos materiais "primitivos" de promoção dos filmes. O género de terror, em particular os clássicos dos anos 30 dos estúdios Universal, tem a sua cotação em alta. Assim, por exemplo, em Novembro de 2007, uma fotografia cartonada de Drácula (1932), de Tod Browning, com Bela Lugosi, foi vendida pelas Heritage Auction Galleries por nada mais nada menos que 65 725 dólares (cerca de 42 mil euros).

Entre os materiais que passaram a ser reconhecidos pelo seu genuíno valor artístico estão sobretudo imagens de filmes dos anos 30/40, mas também do pós-guerra. As memórias iconográficas podem pertencer a raridades como Fazil (1928), um dos primeiros trabalhos de Howard Hawks, ou a obras consagradas como Fallen Angel (1945), de Otto Preminger, há muito reconhecida como uma pérola do filme negro (entre nós: Anjo ou Demónio). Na prática, as fotografias cartonadas continuaram a existir até à década de 80, sendo progressivamente abandonadas em favor da publicidade televisiva. Exemplos como o de Fallen Angel permitem perceber o sofisticado "artesanato" ligado a este tipo de imagens: o filme é a preto e branco, mas as fotografias promocionais apresentavam-se trabalhadas numa requintada paleta de cores, a meio caminho entre a sépia e a sugestão dos tons do technicolor da época.

Há em toda esta história um sintoma que vale a pena sublinhar. Poderemos chamar-lhe o progressivo afastamento entre cinema e... fotografia. Não que o imaginário cinematográfico se possa pensar fora da multiplicidade das técnicas fotográficas. Em todo o caso, com o triunfo das linguagens televisivas e, mais recentemente, através da generalização dos processos digitais, os materiais especificamente fotográficos perderam o seu valor (comercial) na apresentação e difusão dos filmes.

Fica, por isso, um sentimento de mágoa. Os espectadores que dependem apenas de um spot promocional (visto num ecrã de televisão ou, algures, no labirinto da Internet) vivem, de facto, num universo cinematográfico virtual, distante e imaterial. Descobrir os filmes através das respectivas fotografias expostas à entrada das salas de cinema é um hábito que se perdeu. Um hábito e, claro, também o prazer a ele associado...

22 de abr de 2008

Do Lula operário ao Lula presidente

Vídeo que contrapõe audiovisualmente os filmes Peões e Entreatos.


Entrevista com Eduardo Coutinho





Paulo Autran fala de Glauber Rocha

Paulo Autran e Paulo Gil Soares falam de Glauber Rocha - 2004.

Trailer de A VIA LÁCTEA

Trailer final de A VIA LÁCTEA, filme de Lina Chamie com Marco Ricca, Alice Braga e Fernando Alves Pinto.

Sinopse
Heitor e Júlia namoram há algum tempo. É entardecer na cidade de São Paulo e o casal tem uma violenta discussão por telefone. Angustiado, ele pega seu carro e vai em direção à casa da namorada.

Durante o trajeto pelas ruas de São Paulo, no rush-hour do início da noite, o trânsito, os engarrafamentos, os pedestres, os meninos nas esquinas, os bares, a paisagem urbana, tudo interage com Heitor e suas digressões amorosas.

Nesse espaço indefinível, os limites entre vida e morte, espaço e tempo, são da classe das estrelas e dos sóis: explodem anos-luz de distância para brilhar uma noite sobre São Paulo e inspirar um terno beijo de amor. Ou de morte.


Omelete Entrevista: Cláudio Torres

O roteirista e diretor da comédia romântica "A Mulher Invisível" aproveitou um espaço entre as filmagens e conversou com o editor Marcelo Forlani.

Omelete Entrevista: Alice Braga

Para promover Eu Sou a Lenda (I am Legend), a atriz brasileira Alice Braga conversou com o editor do Omelete, Érico Borgo.


Ó Pai, Ó

Wagner Moura

21 de abr de 2008

Falsa Loura (Carlos Reichenbach - 2008)


Operária especializada e competente, a bela Silmara (Rosanne Mulholland) sustenta o pai, Antero (João Bourbonnais), um ex-presidiário físicamente deformado pelo fogo e tenta a todo custo reatar relações amigáveis entre o pai e o irmão caçula, o cabelereiro Tê (Léo Áquila). Apesar de atrair e ser atraída pelos homens, Silmara mantém um ambíguo relacionamento com a professora de dança Regina (Luciana Brites). Silmara compensa a deprimente miséria familiar com um comportamento aparentemente agressivo, fútil e despachado. Na fábrica, ela é instada por sua melhor amiga, a também operária Luiza (Vanessa Prieto), a se tornar a "pigmalião" da tímida, desajeitada e solitária Briducha (Djin Sganzerla). Silmara, Briducha e a professora municipal Ligia (Maeve Jinkings), juntam suas economias para assistir o show do grupo "Bruno e seus Andrés", no Clube Alvorada. Ao se envolver emocionalmente com o ídolo Bruno de André (Cauã Reymond), Silmara passa a representar para suas amigas do trabalho a utópica possibilidade de rápida ascensão econômica e social e se torna um mito entre as colegas Milena (Suzana Alves), Valquíria (Priscila Dias), Fátima (Naruna Costa) e Rosecler (Ingrid Silveira). Somente Luiza, sua confidente, fica sabendo que Bruno a tratou como uma réles prostituta. Ao mesmo tempo, ela desconfia que o pai voltou a atividade de incendiário profissional. Apesar da brutal lição de desprezo com o ídolo pop, Silmara irá repetir o mesmo trajeto abissal quando, através da intermediação do poderoso advogado Dr. Vargas (o cineasta e jornalista Bruno de André), é contratada para passar um final de semana como acompanhante do maior cantor da música romântica brasileira, Luís Ronaldo (Maurício Mattar) e de seu filho Leonel (Emanuel Dórea).

Premiações

- Candango de Melhor Atriz Coadjuvante para Djin Sganzerla, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 2007.

Curiosidades

- Apresentado pela primeira vez no FEstiva de Brasilia, no dia 24 de novembro de 2007.

- Originalmente foi um dos quatro roteiros que Carlos Reichenbach escreveu, estimulado pela Bolsa Vitae, que buscavam retratar o seu imaginário a respeito da mulher operária.

- Em Falsa Loura, Reichenbach mergulha novamente no universo das mulheres proletárias e classe média brasileiras, no ambiente de trabalho e no tempo livre, tendo a cidade de São Paulo como cenário e personagem. As semelhanças com "Lílian M.", "Amor, Palavra Prostituta", "Anjos do Arrabalde" e "Garotas do ABC" terminam no aspecto social e econômico abordado.

- As filmagens foram encerradas no dia 08 de dezembro de 2006, em uma feira da Vila Maria, SP.

- Seleção Fundação Vitae para elaboração de roteiros 1995

- Seleção Oficial Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 2007 – Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante

-Seleção Oficial Festival Internacional del Nuevo Cine. Latinoamericano de La Habana 2007

- O filme foi escolhido para abrir o Festival Sesc dos Melhores Filmes 2008, e a 11ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

- Canções - Paulo Ricardo, Alexandre Leão, Isolda & Milton Carlos, Carlos Reichenbach e a TRUPE.

Rogério Sganzerla


Natural de: Joaçaba, SC, Brasil
Nascimento: 1946
Falecimento: 09 de Janeiro de 2004

Filmografia

2003 - Signo do Caos
1997 - Tudo é Brasil
1993 - Perigo Negro
1992 - Oswaldianas
1989 - A Linguagem de Orson Welles (curtametragem)
1986 - Nem Tudo é Verdade
1991 - Isto é Noel
1990 - Anônimo e Incomum
1981 - Noel por Noel (curtametragem)
1981 - Brasil (curtametragem)
1977 - O Abismu
1976 - Viagem e Descrição do Rio Guanabara por Ocasião da França Antártica (Villegaignon)
1975 - Copacabana Meu Amor
1971 - Fora do Baralho
1971 - Sem Essa Aranha
1970 - Carnaval na Lama (Betty Bomba, a Exibicionista)
1970 - Sem Essa, Aranha
1969 - Mulher de Todos
1968 - O Bandido da Luz Vermelha
1968 - HQ (curtametragem)
1966 - Documentário (curtametragem)

Prêmios

- Rogério Sganzerla ganhou o Candango de melhor diretor pelo filme O Signo do Caos, que também ganhou como melhor montagem, feita em parceria com Silvio Renoldi, no 36º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, 2003

- Condecorado com a Ordem do Mérito Cultural, em dezembro de 2003.

Curiosidades

- Estreou na direção de longas em 1968 com O Bandido da Luz Vermelha, depois de uma carreira de quatro anos como crítico de cinema no jornal O Estado de São Paulo. Ainda muito jovem, foi acolhido por Décio de Almeida Prado, que na época dirigia o Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo, e seu texto de estréia foi sobre Os Cafajestes, filme de Ruy Guerra de 1962. Continuou no Suplemento e colaborou também com o Jornal da Tarde. Sempre escrevendo sobre cinema.

- No ano seguinte dirigiu A Mulher de Todos, estrelado por sua mulher Helena Ignez

- Em 1970 fundou a produtora Bel-Air, responsável por filmes do diretor como O Abismo (1977), Nem Tudo é Verdade (1986) e Tudo é Brasil (1997).

- Em 1990, Rogério Sganzerla dirige o vídeo Anônimo e Incomum, sobre os trabalhos do artista Antonio Manuel da Silva Oliveira .

- Nem Tudo é Verdade é o primeiro filme da trilogia idealizada por Sganzerla sobre a visita de Welles ao Brasil. Foi seguido de Tudo É Brasil.

- Tudo é Brasil foi montado na moviola, na mão mesmo, sem hi-tech, com exceção do som, feito no computador.

- Mesmo fragilizado por complicações de saúde devido a um câncer no cérebro, continou produzindo seus filmes o último foi Signo do Caos, o diretor apresentou a sessão especial do filme no Odeon BR, na noite de segunda-feira (29/09/2003), em uma cadeira de rodas, e foi aplaudido de pé pela platéia.

- Em O Signo do Caos, Sganzerla usou, pela primeira vez, o formato de película em super-16 mm, o que lhe permitiu uma fotografia bem contrastada. Tambem foi obrigado a montar sua própria sala de edição a fim de realizar o trabalho nos detalhes previstos.

- Homenageado no Dia Nacional da Cultura e do Cinema Brasileiro, em 5 de Novembro de 2003, com a exibição do seu primeiro longa-metragem O Bandido da Luz Vermelha.

- Além de cinema, Sganzerla enveredou pelo teatro. Dirigiu as peças "Savannah Bay", de Marguerite Duras que tinha sua filha Djin Sganzerla e a mulher Helena Ignez no elenco,"O belo indiferente", de Jean Cocteau e "A maja desnuda", sobre a vida e a obra de Goya.

- Sganzerla morreu com um sonho: refilmar seu clássico O Bandido da Luz Vermelha com Alexandre Borges no elenco. "Agora seria em cores, menos intelectualizado, mais pop, mais gibi, e com atores globais no elenco. O Alexandre Borges seria perfeito para fazer o bandido" disse em entrevista em 1998 ao jornal O Globo.

- Sganzerla, hospitalizado para se recuperar de uma cirurgia no cérebro, não compareceu a apresentação de seu filme no 36º Festival de Cinema de Brasília. Mas antes da exibição sua mulher, Helena Ignez, atriz coadjuvante do filme, subiu ao palco, ao lado da filha Djin e dos atores Guará Rodrigues e Otávio Terceiro, e leu um texto escrito pelo diretor :

"A idéia de justiça relacionada à beleza, numa era impossível. Resumo da ação: um louco se rebela, atira um sonho na noite dos tempos e paga caro seu compromisso com a verdade nua e crua. Este é o país do tenha a paciência, do espere até amanhã, do depois de amanhã... Em tudo é o mesmo. Nosso país é o mesmo com todos os seus censores curadores feitores malfeitores e manipuladores de opinião pública em geral, que estrangulam a atividade inventiva do cinema. Afinal, o olho não mente e a tela deve falar de sua própria linguagem, concebida no momento da criação.

Ninguém pode negar o direito de existência de um filme. Há que respeitar o direito de existir um trabalho assim significativo. Mais do que nunca é preciso compreender que existem várias maneiras de ver e viver o cinema, para decifrar a incógnita de sua existência, ao se reassumir como protagonista de si mesmo. Doutor Amnésio brinda ao final dos tempos: - geladeira para sempre! Qual o futuro desse filme? Nenhum...

Sem deixar de punir a obra, condenando ao perpétuo desprezo e castigando o atrevimento do monomaníaco em questão, por acaso um dos maiores cineastas do mundo, na época em que se passa a ação. Enfim, um louco se revela contra tudo, atira a felicidade pela janela e manda lavrar a ata com o resultado. Não sentindo nenhum vexame político, ou comoção poética. Sente na pele a revolta social e constrói no Brasil uma divina comédia às avessas."

- Falece no dia 9 de Janeiro de 2004, em São Paulo. Ele tinha um tumor no cérebro. O cineasta estava internado no Hospital do Câncer, na capital, por 20 dias.

Trailer: Os Matadores de Beto Brant

Fernando Meirelles (Novo Cinema)

O cineasta Fernando Meirelles, fala sobre como começou sua carreira no cinema. Sobre o "Cinema Novo" e seu "Novo Cinema"! Fala sobre seus filmes e outros filmes que foram uma escada no crescimento do cinema nacional. E com exclusividade, fala sobre seus novos projetos cinematográfico como: Intolerância 2 e Grandes Sertões de Veredas.





O Cinema de Walter Salles

A morte na poesia ou a poesia da morte

Cena de Terra em Transe de Glauber Rocha.

Trailer Cão sem Dono

"CÃO SEM DONO",
um filme de BETO BRANT E RENATO CIASCA
Com JULIO ANDRADE, TAINÁ MULLER
Baseado no livro "Até o Dia em que o Cão Morreu" de Daniel Galera.

Ação entre Amigos (Beto Brant - 1998)




Em 1971, Miguel, Paulo, Elói e Osvaldo participaram da luta armada contra a ditadura militar e acabaram sendo presos quando tentavam assaltar um banco. Eles foram barbaramente torturados, sendo que Lúcia, a namorada de Miguel que estava grávida, morreu quando seus algozes colocaram nela uma "coroa de cristo" até estourar seu cérebro. Vinte e cinco anos depois, os quatro amigos ainda se vêem e quando vão para uma pescaria Miguel mostra aos amigos uma foto de um encontro político em São Paulo, afirmando que uma das pessoas fotografadas foi Correia , o homem que os torturou por meses.

Premiações
- Recebeu uma indicação ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

- Recebeu uma indicação ao BAFTA, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Curiosidades
- O diretor Walter Salles teve a idéia de levar o livro Abril Despedaçado aos cinemas há 3 anos, quando o leu em meio ao lançamento de Central do Brasil.

Batalha dos Guararapes, O Príncipe de Nassau (Paulo Thiago - 1978)


"O filme faz uma reconstituição dos principais episódios da batalha entre holandeses e luso-brasileiros nas cercanias de Recife/PE. Revela quais as forças econômicas e políticas que moveram aquele período, em vez de desmistificar os heróis do episódio. O pano de fundo e o nascimento do capitalismo mercantil." Início do século XVII. Os holandeses ocupam o arraial do Bom Jesus, último reduto dos nativistas na capitania de Pernambuco. O aventureiro João Fernandes Vieira decide aderir aos dominadores, opondo-se à resistência de André Vidal de Negreiros. Ligando-se ao conselheiro, representante máximo dos interesses da Companhia das Índias Ocidentais na capitania, Vieira torna-se cobrador de impostos, enriquece e tem um romance rumoroso com a viúva Ana Paes, que lutara ao lado dos nativistas.Favorece-lhe a ascensão sua amizade com Maurício de Nassau. Este, no governo, revela-se um estadista de larga visão política e cultural mas suas idéias chocam-se com os interesses da Companhia criando sucessivas crises econômicas e políticas. Sentindo a gradativa diluição do poderio de Nassau, Vieira une-se à luta para a expulsão dos holandeses, com o auxílio de frei Salvador. Em posição delicada, Nassau tenta um último ato de participação com a festa do Boi Voador, medida de abertura econômica aos brasileiros e política, permitindo que Vidal de Negreiros - que entrara clandestinamente no Recife - entregue-lhe uma carta do rei de Portugal. Nassau é destituído e Vieira parte para o interior. Deixa Ana mais uma vez só, levando-a a aceitar uma ligação com o conselheiro. A guerra se avizinha. Chega afinal o esperado apoio de Portugal e os holandeses são derrotados em Guararapes pelas tropas nativistas, com o auxílio dos escravos revoltosos de Henrique Dias e os índios de Felipe Camarão. Ana e Vieira reencontram-se, reconhecendo estarem definitivamente separados.

Curiosidades

- Trata-se de uma superprodução nacional que teve a participação de 120 atores e mais de 3 mil figurantes sob a produção de Carlos Henrique Braga, um ex-oficial da Marinha, também empresário.

- É considerada a primeira superprodução brasileira, representou o Brasil no Festival de Moscou.

- Teve um impacto inegável no meio cultural pernambucano, desencadeando inclusive discussões sobre um possível pólo de cinema.

- Foi rodado em Igarassu, Itamaracá e no próprio Monte Guararapes, com tomadas aéreas.

- A batalha dos Guararapes foi um dos filmes mais caros e ambiciosos já feitos no Brasil. Custou, na época, 3,5 milhões de dólares.

- Foi rodado em Pernambuco, com a ajuda do Exército, em pleno governo do general João Batista Figueiredo.

- Atuação de José Wilker como João Fernandes.

- Também atuaram: Renée de Vielmond (Ana Paes), Jardel Filho (Maurício de Nassau), Joel Barcelos (conselheiro), Jofre Soares (Frei Salvador), Nildo Parente (general von Schkoppe), Roberto Bonfim (Felipe Camarão), José Pimentel (André Vidal de Negreiros), Marcus Vinícius (Henrique Dias), Fausto Rocha Júnior (capitão Tourlon), Tamara Taxman ( Sara Hendricks), Cristina Aché (dona Maria Cezar), Germando Haiut (general Artichofsky), Ednaldo Lucena (Francisco Berenguer), Carlos Reis (George Marc Grave).

____________________________________________________________________

Jornal da Época:


"Batalha dos Guararapes"

O fracasso de bilheteria de "Batalha dos Guararapes". de Paulo Thiago, produção de Cr$ 40 milhões (a mais cara do cinema nacional), lançada simultaneamente em 250 cinemas em todo o País (quatro em Curitiba) é sintomática: veio demonstrar o grande equívoco de nossos produtores, em acreditar que fenômenos isolados como "Dona Flor e Seus Dois Maridos" de Bruno Barreto e "Xica da Silva" de Cacá Diegues, podem ser repetidos com [freqüência]. Como "Batalha dos Guararapes" não faturou nem Cr$ 100 mil em Curitiba, desde segunda-feira, dois dos quatro cinemas que o [exibem] já mudaram o programa: "O Animal", comédia francesa sobre as aventuras de um "stunt-man" (Jean Paul Belmondo) e uma atriz sexy (Raquel Welch) entrou no Cine Rivoli, enquanto que no Vitória - paralelamente ao Bristol e São João - estreou a pornocomédia "O Homem de Itu de José Miziara. O produtor do filme Anibal Massaini Neto e o astro principal, Nuno Leal Maia, estiveram na cidade, badalando a fita que deverá, na opinião de João Aracheski, executivo da Fama Filmes, faturar em sete dias aquilo que "A Batalha dos Guararapes" não conseguirá em um mês". No elenco de "O Bem Dotado/O Homem de Itu" estão atrizes veteranas - como Consuelo Leandro, Lola Brah, Esmeralda de Barros, bem despidas - como Marlene França, Helena Ramos, Aldine Muller, além da bela Ana Maria Nascimento e Silva, que é uma das filhas do ministro da Previdência.

Os melhores programas neste final de semana ficam por conta das sessões da meia-noite e meia no Astor: hoje, a aguardada reprise de "Casa de Bonecas" que Joseph Losey rodou em 1973, baseado na peça de Henryk Ibsen (1822-1906) escreveu em 1879 - e que no teatro, foi vista em Curitiba, há cinco anos passados, com Tonia Carrero e Carlos Kroeber `´a frente do grande elenco. Agora é a maravilhosa Jane Fonda que está na cabeça do elenco desta versão do famoso texto. Amanhã, o penúltimo longa-metragem de Ingmar Bergman, "Face a Face", que mereceria ter um relançamento normal. A propósito, para entender melhor a obra (difícil) do [cineasta] sueco, recomendamos a leitura de "O Cinema Segundo Bergman" (Editora Paz e Terra S/A, 245 páginas, Cr$ 120,00), coleção de 13 entrevistas de Bergman aos críticos suecos Stig Bjorkman, Torsten Manns e Jonas Sima. Com este livro, a Paz e Terra está dando [seqüência] a uma valiosa biblioteca de livros sobre cinema, por onde já apareceram obras de Glauber Rocha, Jean Claude Bernardet, Leif Fuhammar/Folke Isaksson e Ismail Xavier.

No mais, "Laranja Mecânica", de Kubrick no Astor, merece sempre uma revisão.

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Veículo: Estado do Paraná
Caderno ou Suplemento:
Nenhum
Coluna ou Seção:
Cinema
Página:
3
Data:
06/10/1978

____________________________________________________________________


BATALHA DOS GUARARAPES III
Um fracasso de US$ 3,5 milhões

por KLEBER MENDONÇA FILHO

Em 1978, o Cinema Nacional produziu Batalha dos Guararapes, um dos filmes mais caros e ambiciosos já feitos no Brasil. Para terem uma idéia, custou, há 20 anos, US$ 3,5 milhões, enquanto Central do Brasil, hoje, saiu por U$ 2,9 milhões. Foi rodado em Pernambuco, com a ajuda do Exército, em pleno Governo de João Batista Figueiredo.

Teve a participação de 120 atores e mais de 3000 figurantes sob a produção de Carlos Henrique Braga, um ex-oficial da Marinha, também empresário. O filme foi ainda co-filhote da Embrafilme, aqui mais uma vez, e em grande estilo, alvo de todo tipo de crítica em relação à queima de dinheiro público, principalmente depois que o filme transformou-se num enorme fracasso de bilheteria.

Batalha foi dirigido por Paulo Thiago, que fez recentemente Policarpo Quaresma. No Recife, durante o último Festival de Cinema, Thiago lembrou a experiência de fazer o épico, algo que ele descreve como um projeto pessoal do produtor, Braga, que articulou boa parte da verba e também o apoio dos militares. Segundo Thiago, esse ponto colocou a produção automaticamente em rota de colisão com a esquerda, principalmente a Imprensa, afinal de contas, era um filme realizado com o selo de aprovação do governo.

Thiago também revelou que, depois do fracasso nos cinemas, Braga ficou bastante desgostoso e recolheu o filme. Hoje, só ele tem acesso à obra. O próprio diretor tem em casa apenas uma cópia em VHS, do seu filme. Ele crê que, se visto hoje, Batalha dos Guararapes poderia ter uma nova leitura, principalmente pela ausência da questão política.

BATALHA DOS GUARARAPES II - Seria realmente interessante ver o filme hoje, especialmente no seu aniversário de 20 anos, este ano. Sabe-se que a fotografia de Mario Carneiro e música de Guerra Peixe foram destacadas em algumas críticas. No elenco, gente como Jardel Filho, José Wilker, Renée de Vielmond, Roberto Bonfim, a lista é extensa. Poucos atores locais foram utilizados, como Jones Melo, mas a produção deu emprego a muita gente, grande parte como figurantes, muitos deles, diz a lenda, de relógio!

O filme teve um impacto inegável no meio cultural pernambucano, desencadeando inclusive discussões sobre um possível pólo de cinema, aliás uma discussão que está de volta, hoje! Foi rodado em Igarassu, Itamaracá e no próprio Monte Guararapes, com helicópteros da aeronáutica servindo de apoio para tomadas aéreas.

O impacto do filme foi também registrado no curta em Super8 Batalha dos Guararapes II, de Fredi, Geraldo Pinho (hoje, responsável pelo Cinema do Parque) e Paulo André Leitão (hoje, na Rede Tribuna). O filme ganhou o segundo lugar no II Festival de Cinema Super8 do Recife, em novembro de 1978. Trata-se de uma sátira ao épico de Thiago, pois mostrava a batalha do pernambucano, diariamente, tentando ganhar a vida informalmente na nossa famosa avenida.

O Cheiro do Ralo (Heitor Dhalia - 2007)


E não é que aquela bunda, de fato, era bonitinha, lisinha, redondinha, durinha. Enfim, perfeita!!! Nenhum homem assiste a esse filme sem refletir a partir de parâmetros bundológicos sobre a razão de sua existência neste planeta. Não que uma bunda seja tudo na vida. Mas, uma bunda dessas, realmente, parece ser algo preciosamente importante para quem a perseguiu todas as manhãs sob o pretexto de fazer o desjejum (inclusive, tendo de comer porcarias que não lhe apeteciam). O que dizer do inclinar-se, aparentemente ingênuo (mas, suficientemente eficaz), da garçonete para pegar um “refri”?

Nossa... às vezes tenho vontade de rever o filme só para dar mais uma sacadinha naquela bunda. E que bunda!!!

Enzo Zanchetta.

Trailer de Rio Babilônia Neville de Almeida 1982

O relações públicas Marciano é contratado para recepcionar o poderoso industrial Liberato. Em meio a festas e orgias ele conhece a jornalista Vera Moreira e acaba descobrindo que seu cliente está envolvido com o tráfico internacional de ouro. Vera tem informações suficientes para levar Mr Gold, como é conhecido Liberato, à cadeia, e por isso, corre perigo. Assim, Marciano se faz cúmplice no projeto de denunciar Liberato.

Sandra Bréa em Amada Amante 1978

Cena final do filme "Amada Amante" de Claúdio Cunha rodado em 1978. Participam da cena, Sandra Bréa e Luis Gustavo.


Tropa de Elite: Trailer Oficial

Entrevista com Júlio Bressane

Durante o Festival de Cinema Brasileiro de Brasília em 2007.




Filmes Brasileiros sobre Política

141 Filmes Brasileiros sobre Política


Regime autoritário de 1964
1. Zuzu Angel (2006)
2. O ano em que meus pais saíram de férias (2006)
3. Hércules 56 (2006)
4. O Sol – caminhando contra o vento (2006)
5. Quase dois irmãos (2005)
6. Vlado - 30 anos depois (2005)
7. Cabra cega (2004)
8. Tempo de resistência (2004)
9. Cartas da mãe (2003)
10. Araguaya - a conspiração do silêncio (2003)
11. No olho do furacão (2002)
12. Barra 68 (2000)
13. Marighella - retrato falado do guerrilheiro (1999)
14. Palestina do norte: o Araguaia passa por aqui (1998)
15. Ação entre amigos (1998)
16. O que é isso, companheiro? (1997)
17. Vala comum (1994)
18. A dívida da vida (1992)
19. Que bom te ver viva (1989)
20. Primeiro de abril (1989)
21. PSW - Uma crônica subversiva (1988)
22. Nunca fomos tão felizes (1984)
23. O evangelho segundo Teotônio (1984)
24. Prá frente Brasil (1982)
25. República dos assassinos (1979)
26. Paula - a história de uma subversiva (1979)
27. O bom burguês (1978)
28. Manhã cinzenta (1969)
29. Do Brasil para o mundo (1967)
30. Oito universitários (1967)
31. O desafio (1965)

Biográficos
1. Dom Helder Câmara - o santo rebelde (2006)
2. O Profeta das águas (2005)
3. Raízes do Brasil (2004)
4. Gregório de Mattos (2002)
5. JK: O menino que sonhou um país (2002)
6. O homem que queria ser Presidente (2001)
7. Mauá, o imperador e o rei (1999)
8. Tiradentes (1998)
9. O velho (1997)
10. Castro Alves – retrato falado do poeta (1997)
11. Lamarca (1994)
12. Carlota Joaquina, princesa do Brasil (1994)
13. O país dos tenentes (1987)
14. Eternamente Pagu (1987)
15. Chico Rei (1986)
16. Céu aberto (1985)
17. De Pernambuco falando para o mundo (1982)
18. Jânio a 24 Quadros (1981)
19. Jango (1981)
20. Os anos JK (1980)
21. Dr. Heráclito Fontoura Sobral Pinto - profissão advogado (1978)
22. Ganga Zumba (1964)

Guerras, rebeliões ou conflitos violentos locais
1. O preço da paz (2003)
2. A paixão de Jacobina (2001)
3. Brava gente brasileira (2001)
4. Netto perde sua alma (2001)
5. Senta a pua! (2000)
6. Guerra de Canudos (1997)
7. For all - O trampolim da vitória (1997)
8. A matadeira (1994)
9. A República dos anjos (1992)
10. Desterro (1992)
11. Guerra do Brasil (1987)
12. Fronteiras de sangue (1987)
13. Caldeirão de Santa Cruz do Deserto (1986)
14. Quilombo (1984)
15. A herança das idéias (1982)
16. Batalha dos Guararapes (1978)
17. Os Mucker: o massacre da seita do ferrabrás (1978)
18. Ajuricaba, o rebelde da Amazônia (1977)
19. Os inconfidentes (1972)
20. Independência ou morte (1972)
21. Os fuzis (1964)
22. O descobrimento do Brasil (1937)

Violência urbana, injustiça social, ausência de Estado
1. Quanto vale ou é por quilo (2005)
2. Cidade de Deus (2002)
3. Cronicamente inviável (2000)
4. Terra estrangeira (1995)
5. Brincando nos campos do senhor (1991)
6. Uma avenida chamada Brasil (1989)
7. Os donos da terra (1988)
8. Uma questão de terra (1988)
9. Rei do Rio (1986)
10. Anjos do arrabalde - as professoras (1986)
11. Avaeté, semente da vingança (1985)
12. Pixote - a lei do mais fraco (1981)
13. O homem que virou suco (1980)
14. Brasília: contradições de uma cidade nova (1967)
15. Proezas de Satanás na Vila do Leva-e-Traz (1967)

Ideologias, engajamento, alienação
1. O cão louco Mário Pedrosa (1993)
2. Quarup (1989)
3. Encontro com Prestes (1987)
4. Avante camaradas (1986)
5. Patriamada (1985)
6. Nada será como antes, nada? (1984)
7. Eh, Pagu, eh! (1982)
8. Teu tua (1980)
9. Tudo bem (1978)
10. Libertários (1976)
11. O bravo guerreiro (1968)
12. Brasil ano 2000 (1968)
13. Lance maior (1968)

Trabalhadores na política
1. Peões (2004)
2. O sonho de Rose, dez anos depois (2000)
3. Jenipapo (1996)
4. Terra para Rose (1987)
5. Cabra marcado para morrer (1984)
6. Linha de montagem (1982)
7. Eles não usam black-tie (1981)
8. A primeira Conclat (1981)
9. ABC da greve (1980)
10. Braços cruzados, máquinas paradas (1979)

Regime de Getúlio Vargas
1. Olga (2004)
2. Salvar o Brasil (1987)
3. Memórias do cárcere (1984)
4. Parahyba, mulher macho (1983)
5. Revolução de 30 (1980)
6. Homem de areia (sem rir sem chorar) (1976)
7. Getúlio Vargas (1974)
8. O caso dos irmãos Naves - Baseado na novela homônima de João Alamy Filho (1967)
9. Getúlio: glória e drama de um povo (1956)

Costumes e cultura política
1. Histórias do poder: cem anos de política no Brasil (2005)
2. Policarpo Quaresma, herói do Brasil (1988)
3. O homem da capa preta (1986)
4. A idade da Terra (1980)
5. Terra em Transe (1967)
6. Blá...Blá... Blá... (1967)

Mandonismo local
1. A terceira morte de Joaquim Bolívar (1999)
2. O tronco (1999)
3. Pindorama (1971)
4. Maranhão 66 (1966)

Campanhas eleitorais
1. Vocação do poder (2005)
2. Entreatos (2004)
3. Doces poderes (1996)
4. Muda Brasil (1985)

Instituições públicas
1. Justiça – o filme (2004)
2. Carandiru (2003)
3. O prisioneiro da máscarade ferro (2003)

Igreja e política
1. Batismo de sangue (2006)
2. Igreja dos oprimidos (1986)

05 de Novembro: Dia do Cinema Brasileiro

Vídeo em Stop Motion criado para uma campanha publicitária lembrando o Dia do Cinema Brasileiro, dia 05 de Novembro.

Projeto dos alunos do 1º ano do curso superior de Tecnologia em Web Design da UNITAU.

Resumo

Um pequeno resumo da trajetória do Cinema Brasileiro.

Cinema Novo

Um vídeo resumido que mostra os principais sucessos do Cinema Brasileiro nos anos 60.

OS TRINTA FILMES MAIS SIGNIFICATIVOS DO CINEMA BRASILEIRO

A referência mais antiga ao cinema brasileiro data de 1898. Afonso Segreto, a bordo do navio Brésil, tirou algumas "vistas" da Baía da Guanabara com uma câmera de filmar Lumière que acabara de adquirir em Paris. A Cinemateca Brasileira adotou este evento como marco e, dentro de seu espírito de preservar e divulgar o cinema nacional, promoveu, em 1988, urna série de atividades para celebrar os 90 anos do cinema brasileiro.

Uma delas consistiu na escolha dos 30 filmes brasileiros mais significativos, realizada através de consulta a críticos de jornais, revistas e emissoras de televisao, além de pesquisadores ligados a universidades e órgãos culturais, visando a estabelecer uma videoteca básica, para divulgação internacional.

Diferentes fases e estilos encontram-se aqui representados – o filme mudo, o Cinema Novo, as produções da Vera Cruz, o cinema intimista e o "marginal" –, dando prova da vitalidade de um cinema que superou os obstáculos à sua própria existência, surgidos ao longo dos anos.


OS FILMES (por ordem alfabética):

O assalto ao trem pagador, de Roberto Farias

O bandido da luz vermelha, de Rogérío Sganzerla

Bang bang, de Andrea Tonacci

Brasa dormida, de Humberto Mauro

Bye bye Brasil, de Carlos Diegues

Cabra marcado para morrer, de Eduardo Coutinho

Os cafajestes, de Ruy Guerra

O cangaceiro, de Lima Barreto

Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha

O dragão da maldade contra o santo guerreiro, de Glauber Rocha

Eles não usam black-tie, de Leon Hirszman

Os fuzis, de Ruy Guerra

Ganga bruta
, de Humberto Mauro

O grande momento
, de Roberto Santos

A hora e a vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos

Limite, de Mário Peixoto

Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade

A margem, de Ozualdo Candeias

Matou a família e foi ao cinema
, de Júlio Bressane

Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos

Noite vazia, de Walter Hugo Khouri

O pagador de promessas, de Anselmo Duarte

Pixote - a lei do mais fraco
, de Hector Babenco

Rio quarenta graus, de Nelson Pereira dos Santos

São Bernardo, de Leon Hirszman

São Paulo Sociedade Anônima, de Luiz Sergio Person

Terra em transe, de Glauber Rocha

Toda nudez será castigada, de Arnaldo Jabor

Tudo bem, de Arnaldo Jabor

Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos

16 de abr de 2008

Cinema do Parque abre programação de 2008

O tradicional Cinema do Parque dá início nesta segunda-feira à sua programação para 2008. O preço continua o mesmo: R$ 1 para todos. A sala foi reformada e conta agora com sistema de som quase inteiramente trocado. Além disso, houve a primeira equalização de som da história do cinema e a tela foi lavada.

Dois filmes dividem o espaço: Piaf: um hino ao amor e A casa de Alice. O primeiro é uma homenagem à cantora francesa Edith Piaf, que rendeu a Marion Cotillard o Oscar de melhor atriz. Já o segundo conta as desventuras de Alice, manicure paulista de 40 anos às voltas com diversos problemas em casa.

Endereço: Rua dos Hospício, 81, Boa Vista.

Ops...

Gostaria de lembrar que este cinema funciona em Recife.

Tropa de Elite

'Tropa de elite' leva oito prêmios na festa do cinema brasileiro mas perde o de melhor filme




RIO - O longa ''Tropa de elite'', de José Padilha, levou oito prêmios na festa dos melhores da Academia Brasileira de Cinema, mas o de melhor filme foi para "O ano em que meus pais saíram de férias", de Cao Hamburger. "Tropa" foi eleito o melhor filme pela votação popular, uma novidade deste ano, com um total de 40 mil votos pelos celulares do patrocinador, a operadora Vivo.

Na festa da noite desta terça no Vivo Rio foi homenageado in memoriam o ator Grande Otelo, que passou a emprestar seu nome para o troféu, e, em vida, o ator, diretor e produtor Renato Aragão pelo conjunto da obra, 47 filmes em 40 anos.

O diretor de "Tropa de elite" José Padilha não foi por estar adoentado. O produtor Marcos Prado disse no palco que era dengue, mas depois afirmou que tinha falado com o diretor e este lhe dissera que não era a dengue. Prado disse que agora vai se concentrar no lançamento do filme nos Estados Unidos no segundo semestre, mas antes ele será exibido fora da competição no Festival de Tribeca, que acontece de 23 de abril a quatro de maio em Nova York.

Cao Hamburger, diretor de "O ano em que meus pais saíram de férias" disse que a vitória como melhor filme foi uma grande surpresa devido à "cadência da premiação" que apontava para "Tropa de elite". Observou que o mais importante era a festa de confraternização, enquanto Prado comemorava a noite como uma prova do "vigor da retomada"

A cerimônia apresentada por Drica Soares e Vladimir Brichta teve alguns problemas técnicos como mau posicionamento de câmeras na hora de mostrar, ainda na platéia, os ganhadores e os microfones estavam sempre fechados na hora em que os premiados começavam a agradecer, o que fazia o público e os telespectadores do Canal Brasil, que transmitiu ao vivo, perderem algumas palavras.

Os dois apresentadores tiveram que ler seu script em fichas, o que tirou um pouco da espontaneidade. Havia teleprompter apenas para quem ia anunciar e entregar os prêmios. O telão, redondo como se fosse o mostrador de um relógio, não permitia uma boa visão das projeções. A cerimônia tem pelo menos a vantagem de ser curta, menos de duas horas, sem a superprodução destes prêmios na América.

A noite teve algumas frases eloqüentes sobre o cinema. Cacá Diegues, na abertura, citou Eisenstein que definiu a sétima arte como "a mais bela invenção do imaginário humano". E prosseguiu com afirmações do poder do cinema sobre o espaço e o tempo, sobre como "nos torna sábios e heróis", como é o "lugar da eternidade onde os jovens são eternamente jovens". Tudo isso com um fundo de imagens em preto e branco da história do cinema no Brasil.

Na homenagem a Grande Otelo, Hugo Carvana mostrou imagens da carreira do ator com o lembrete de que "relembrar é uma forma de manipular o tempo". Ele indicou a presença de filhos de Otelo, mas a câmera chegou tarde, a platéia estava às escuras e nada se enxergou.

Um novo prêmio de preservação do cinema foi entregue ao Centro de Pesquisadores do Cinema, entidade fundada há 35 anos por Paulo Emilio Salles Gomes. Carlos e Myrna Brandão receberam o prêmio e Carlos afirmou que "preservar os filmes é preservar nossa identidade cultural". Daniel Filho apresentou a homenagem à personalidade do cinema para o cearense Renato Aragão, historiando em palavras e no telão, a carreira de 47 filmes ao longo de 40 anos. Muito emocionado, Renato subiu ao palco e deu um longo abraço em Daniel:

- Estou muito feliz e não podia ser diferente. Este é especial porque vem do cinema. Eu fiz televisão como meio de sobrevivência, mas vim para o Rio fazer cinema. Já fui herói, vilão, pirata, os bandidos me batiam de um lado e a crítica de outro. E quanto mais batiam mais aumentava a bilheteria. O verdadeiro herói é o cinema nacional, que caiu e se levantou de novo. O cineasta é um verdadeiro guerreiro, não se deixa abater nunca," disse Renato.

Ao receber o prêmio de melhor ator, Wagner Moura disse que "Tropa de elite" trata do problema mais urgente no Brasil atual, a segurança pública, e reiterou que não se combate a violência apenas com a polícia. E ainda confessou que só foi da Academia Brasileira de Cinema por dois anos porque esqueceu de pagar. E que, nesses dois anos, sempre votou nele mesmo: "E nunca ganhei".

O vencedor de curta metragem de ficção por "Beijo de sal", Fellippe Barbosa, agradeceu ao amigo Antonio que lhe emprestou o terno que usava. E o vencedor do curta de animação ''Vida Maria'', Márcio Ramos, afirmou que cada prêmio era uma surpresa porque fez tudo sozinho e este era o 41º troféu que levava para casa em Fortaleza.

10 de abr de 2008

Segurança Nacional (Roberto Carminati - 2007)

Uma rede internacional de narcotráfico ameaça a segurança do país. Para desbaratá-la, o presidente da República aciona o serviço de inteligência. O melhor agente secreto da corporação sai à captura do chefão da droga, que seqüestra a namorada do herói e planeja ataques a vários pontos do país. Antes da derrota final do inimigo, radares rastrearão seus movimentos, caça-aviões abaterão seus comparsas e todos correrão contra o relógio. Você dirá que já viu esse filme. Mas não com o ator Milton Gonçalves no papel do presidente, o galã Thiago Lacerda como o agente secreto e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no lugar da CIA, a agência norte-americana.

É com essa escalação que o cineasta Roberto Carminatti está filmando o longa "Segurança Nacional", com cenas em terra, ar e mar, de norte a sul do Brasil.

Formado em cinema nos EUA, onde nasceu, filho de brasileiros, Carminatti, 29, diz que estudou "como o cinema americano fala das Forças Armadas e da sua história de um jeito positivo". É essa abordagem edificante à imagem do país que o cineasta emprega em sua trama sobre a política e a segurança nacionais.

"Sempre quis voltar para o Brasil, para fazer filmes positivos, não com os olhos de país do Terceiro Mundo, que não tem jeito", diz. A visão que Carminatti propõe é a de que "aqui existem heróis e tecnologia desenvolvida por brasileiros, para beneficiar e proteger a sociedade".

Com sua ficção envolvendo "o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) e os radares que protegem o espaço aéreo brasileiro contra traficantes de drogas", o diretor procurou o governo federal, em busca de apoio. "Eu me aproximei com toda a humildade. Não tenho uma produtora grande ainda." Apresentando "o roteiro já pronto", Carminatti pediu consultoria da Força Aérea, do Exército, da Abin, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

"Eles não impuseram nenhum tipo de censura, de mudança na história", diz. Segundo Carminatti, só um reparo foi feito: "Explicaram que seria errado aviões da Força Aérea entrarem sem permissão em outros países". E um pedido: "Que o roteiro não mostrasse todas as capacidades dos aviões R-99 que a força brasileira possui, porque isso é estratégico".

As filmagens começaram no mês passado, e o diretor diz que o uso de cenários reais tem sido fundamental para o projeto. Ele conta que uma seqüência foi rodada com o AeroLula, o avião presidencial, no dia 6 de dezembro. O presidente do Brasil na vida real, Luiz Inácio Lula da Silva, não estava a bordo. A decolagem e o vôo que a equipe filmou, do exterior da aeronave, eram medida de segurança, conta o cineasta.

"Existe uma prática chamada 'vôo da bomba' que está dentro do orçamento da Força Aérea. O avião sempre tem de voar antes de o presidente embarcar, porque, se tiver uma bomba, o piloto morre, o presidente não", diz.

"Segurança Nacional" tem orçamento de aproximadamente R$ 5 milhões, aprovado segundo as leis de incentivo à cultura, que autorizam o uso do Imposto de Renda em projetos culturais. Carminatti ainda não conseguiu reunir todo o dinheiro, mas afirma ter o sinal verde de algumas empresas. "A Embraer se comprometeu a apoiar, mas ainda não definiu com quanto."

O diretor avalia que o filme "seria economicamente inviável, sem o grande apoio que é poder filmar nos locais que existem de fato". Carminatti tem cenas previstas para o fim deste mês na sede da Abin e no Palácio do Planalto, onde já fez algumas tomadas, em dezembro passado. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, ao qual a Abin é subordinada, confirmou à Folha os contatos do cineasta com o órgão, mas não a autorização para as filmagens na agência.

Carminatti diz que, com a troca de comando na Abin, temeu pelo futuro de seu projeto, que ele havia apresentado pessoalmente ao ex-diretor-geral Mauro Marcelo.

Márcio Buzanelli, o novo diretor da agência, chegou imprimindo marcas de mudança, como a troca de seu símbolo --da araponga pelo carcará-- e a divulgação da Abin para jovens. "Quando houve a saída de Marcelo [em julho de 2005], fiquei preocupado", diz. "Mas eles reiteraram o apoio. Foi tudo muito legal."

"Segurança Nacional" deve ficar pronto em maio e tem contrato com uma distribuidora brasileira para ser lançado no país. O diretor tem planos de estrear o filme nos EUA também. "Quero mostrar aos brasileiros que o Brasil não é uma completa desorganização e desordem. E mostrar ao resto do mundo que o Brasil não é esse que ficou estereotipado pelas florestas e a pobreza."

Carminatti se diz convencido de que "num caso como o 11 de Setembro, a Força Aérea Brasileira teria alcançado o avião [em poder dos terroristas]". "A gente pensar que o Brasil está desenvolvido a esse ponto é um sonho", diz.




1 de abr de 2008

História do Cinema Brasileiro

Ao contrário do que aconteceu na Europa e nos Estados Unidos, o cinema brasileiro demorou para se desenvolver no século XX. Somente na década de 1930 que surgiram as primeiras empresas cinematográficas, produtoras de filmes do gênero chanchada.

O grande salto de desenvolvimento do cinema nacional ocorreu somente na década de 1960. Com o conhecido “Cinema Novo”, vários filmes ganharam destaque nos cenários nacional e internacional. Podemos dizer que o marco inicial desta época de prosperidade cinematográfica nacional foi o lançamento do filme “O Pagador de Promessas”, escrito e dirigido por Anselmo Duarte. Foi o primeiro filme nacional a ser premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes.

Com o lema “uma câmara na mão e uma idéia na cabeça”, outros diretos impulsionam o Cinema Novo. Os filmes deste período começam a retratar a vida real, mostrando a pobreza, a miséria e os problemas sociais, dentro de uma perspectiva crítica, contestadora e cultural. Neste contexto, aparecerem filmes como “ Deus e o diabo na terra do Sol” e “Terra em transe”, ambos do diretor Glauber Rocha. Outro cineasta que também merece destaque neste período é Carlos Diegues, autor de Ganga Zumba.

As décadas de 1970 e 1980 representam um período de crise para o cinema nacional. A crítica e os grandes problemas nacionais saem de cena para dar espaço para filmes de consumo fácil, com temáticas simples e de caráter sexual, muitas vezes de mau gosto. É a época da pornochanchada. A qualidade é deixada de lado, e os cineastas, muitos deles sem representatividade no cenário nacional, começam a produzir em larga escala.

Mesmo neste período, alguns cineastas resistem a onda e procuram produzir filmes inteligentes e bem elaborados. Podemos destacar os seguintes filmes neste contexto: “Aleluia Gretchen” de Sílvio Back; “Vai trabalhar vagabundo” de Hugo Carvana e “Dona Flor e seus dois maridos” de Bruno Barreto.

A década de 1990 é marcada pela diversidade de temas e enfoques. O filme passa ser um produto rentável e a "indústria cinematográfica" ganha impulso em busca de grandes bilheterias e altos lucros. Neste sentido, as produções brasileiras procuram atender públicos diversos. Comédias, dramas, política e filmes de caráter policial são produzidos em território nacional. Com políticas de incentivo e empresas patrocinadoras, o Brasil começa a produzir filmes que mobilizam grande número de espectadores.

Curiosidades do cinema brasileiro:

- Em 1973, o Brasil criou o Festival de Gramado, realizado anualmente na cidade de mesmo nome, na Serra Gaúcha. O troféu, conhecido como “kikito” é uma figura risonha, esculpida em bronze.

- Até 2006, nenhum filme brasileiro havia agnhado o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Ajuste de contas

Amigo Urso