20 de mai de 2008

Jogo de Cena (Eduardo Coutinho - 2007)


23 mulheres respondem a um anúncio de jornal e contam a história de suas vidas, que posteriormente é interpretada por atrizes. Dirigido por Eduardo Coutinho (O Fim e o Princípio) e com Marília Pêra, Andréa Beltrão e Fernanda Torres no elenco.

Gênero: Documentário
Duração: 105 min.
Fotografia: Jacques Cheuiche
Edição: Jordana Berg

Elenco: Marília Pêra, Andréa Beltrão, Fernanda Torres, Aleta Gomes Vieira, Claudiléa Cerqueira de Lemos, Débora Almeida, Gisele Alves Moura, Jeckie Brown, Lana Guelero, Maria de Fátima Barbosa, Marina D'Elia, Mary Sheyla e Sarita Houli Brumer.

Curiosidades
- É o 10º longa-metragem dirigido por Eduardo Coutinho.
- Exibido na mostra Première Brasil, no Festival do Rio 2007.

Jogo de Cena é o décimo longa-metragem de Eduardo Coutinho, um dos maiores documentaristas brasileiros em atividade. É também a sua quinta parceria com a produtora Videofilmes. Depois de um início de carreira dividido entre a ficção e o documentário, Coutinho optou pelo segundo a partir de uma profícua passagem pelo programa Globo Repórter, na década de 70. Cabra Marcado para Morrer (1964-1984), seu acerto de contas com a História e com um projeto do passado, tornou-se um grande clássico do cinema brasileiro. Mais recentemente, iniciou uma fase muito produtiva com a realização seguida de cinco filmes em seis anos: Santo Forte (1999), Babilônia 2000 (2000), Edifício Master (2002), Peões (2004) e O Fim e o Princípio (2005). A solidez do método de Coutinho e sua sensibilidade para ouvir pessoas comuns são fruto de laboriosa reflexão sobre o seu ofício ao longo de inúmeros documentários em vídeo realizados nas décadas de 80 e 90, entre os quais se destacam Santa Marta: Duas Semanas no Morro (1987) e Boca de Lixo (1992).

"Linha de Passe" é bem avaliado pela crítica em Cannes

SILVANA ARANTES
da
Folha de S.Paulo, em Cannes (19/05/2008 - 10h29)

Depois de calorosa acolhida do público em sua estréia, no sábado, o filme brasileiro concorrente à Palma de Ouro "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas, recebeu ontem elogios da crítica internacional no Festival de Cannes.

"Sólido e envolvente" foi como o crítico Jonathan Romney, da revista inglesa "Screen", adjetivou o longa, por evocar "a dureza que é manter corpo e mente juntos na maior cidade brasileira [São Paulo]" e oferecer "uma alternativa mais realista aos românticos e estilizadamente cintilantes filmes com os quais o cinema brasileiro vem sendo identificado".

"Linha de Passe" segue o cotidiano de uma família de trabalhadores da periferia paulistana. "[Merece] Cumprimentos o conjunto de boas atuações que torna altamente singular cada membro da família", assinala Debora Young, da "Hollywood Reporter". A resenha da "Variety", por Todd McCarthy, também se refere ao retrato que o "Linha de Passe" faz dos jovens que buscam uma saída para a pobreza sem cair no crime como uma visão "alternativa" adotada pelo filme, que "toca em temas sérios sem sublinhar sua autoimportância".

Salles disse à Folha que "não houve intenção de ir contra uma tendência do cinema brasileiro, e sim de falar de uma parte da juventude que não era retratada". Ele se refere aos jovens da periferia que não têm envolvimento com a criminalidade. "O mundo das estatísticas [de violência] é diferente do mundo da rua", afirmou.

"Linha de Passe" foi filmado na Cidade Líder, em São Paulo. "Não há figurantes", diz Thomas. Os personagens laterais -jovens aspirantes a uma carreira no futebol e evangélicos- reencenam situações comuns à sua biografia, como a participação nas "peneiras" dos clubes para a seleção de jogadores ou em cultos religiosos. Para Salles, "há indícios de que o cinema voltou a ter relação direta com a realidade" e de que os filmes da competição em Cannes refletem "o desejo dos cineastas de falar do seu tempo".

Os dois longas exibidos ontem na disputa corroboram tal afirmação. O italiano "Gomorra", de Matteo Garrone, adapta o best-seller "Camorra", de Roberto Saviano, sobre as operações criminosas e o poderio econômico dessa organização mafiosa. Por conta das denúncias, Saviano foi ameaçado de morte e vive sob proteção. O autor foi a Cannes com esquema de segurança reforçado.

O filipino "Serbis" (serviço, como programa sexual), de Brillante Mendoza, entrelaça tipos urbanos em Manila, a partir da história de uma família que vive num híbrido de casa e cinema pornô, onde casais gays têm encontros sexuais.

19 de mai de 2008

Blindness (Fernando Meirelles - 2008)

Ensaio Sobre a Cegueira [Em Produção]
(Blindness, Brasil, Canadá, Japão, 2008)

Status: Completo
Títulos Alternativos: Cegueira
Gênero: Drama, Suspense
Tipo: Longa-metragem / Colorido
Palavras-Chaves: Doença inesperada, Caos, Amor, mais...
Distribuidora(s): Fox Film
Produtora(s): Rhombus Media, O2 Filmes, Bee Vine Pictures

Diretor(es): Fernando Meirelles
Roteirista(s): José Saramago, Don McKellar
Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura, Don McKellar, Maury Chaykin, Mitchell Nye, Danny Glover, Gael García Bernal, Sandra Oh, Martha Burns, Michael Mahonen, Nadia Litz, Joe Pingue

A esposa de um médico é a única pessoa capaz de enxergar numa cidade onde todas as pessoas são misteriosamente tomadas por uma repentina cegueira. O fato acaba criando o caos e a desordem entre a população. Adaptação do romance escrito por José Saramago e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura.

Meirelles admite que 'Blindness' é sombrio demais para abrir Cannes

Blindness (Ensaio Sobre a Cegueira) levou visões apocalípticas da sociedade em colapso ao Festival de Cinema de Cannes nesta quarta-feira, e o diretor Fernando Meirelles admitiu que o cenário sombrio que ele fez da humanidade foi uma escolha estranha para abrir o glamouroso evento francês.

Foi uma inauguração séria dos 12 dias de filmes, entrevistas, iniciativas publicitárias e festas no resort da Riviera francesa, que se orgulha de promover o cinema alternativo tanto quanto de receber a realeza de Hollywood em seu tapete vermelho.

Ensaio Sobre a Cegueira é uma adaptação do romance homônimo do premiado com o Nobel José Saramago e conta a história de uma epidemia de cegueira que varre o mundo.

Julianne Moore faz a mulher de um médico que, como o público do filme, consegue enxergar a morte, a crueldade e a degradação que a cercam. Pouco a pouco, ela se conscientiza da responsabilidade que sua posição singular lhe impõe.

"Nós nos achamos tão fortes, sofisticados e sólidos", disse Meirelles a jornalistas depois da exibição do filme para a imprensa. "Mas então uma coisa dá errado e tudo desaba."

"Patinamos sobre gelo fino. Qualquer coisa pode acontecer e acontece", continuou o diretor, que ganhou fama mundial com Cidade de Deus. A estréia oficial do filme será esta noite.

Meirelles e o roteirista Don McKellar disseram que se sentiram inspirados pelo fato de o romance de Saramago aparentemente refletir os desastres naturais da vida real, as doenças e nossos temores recentes com segurança alimentar.

Fernando Meirelles disse que abrir o festival de Cannes é uma honra e também uma pressão, mas acrescentou: "Para ser franco, acho que este não é o melhor filme para abrir um festival".

Boa parte do filme é ambientada num asilo abandonado nas proximidades de uma cidade não identificada. As autoridades em pânico encerram ali a vida de pessoas atingidas pela contagiosa "doença branca" - assim chamada porque os cegos enxergam tudo branco, e não negro.

Um sistema de vida operacional, apesar da miséria humana, derrapa quando um dos detentos - o mexicano Gael Garcia Bernal - decide aplicar a lei com suas próprias mãos.

Em meio à anarquia resultante, atrocidades são cometidas e, quando os detentos se libertam, Moore descobre que o resto da cidade não está se saindo muito melhor que eles.

"Agimos como pessoas civilizadas porque temos comida, temos tudo bem estabelecido", disse Meirelles. "Basta perdermos isso para vir à tona o que realmente somos por baixo."

Quarta, 14 de maio de 2008, 13h04 (terra.com.br)

Saramago gostou "muito, muito, muito" de "Blindness", adaptação do "Ensaio sobre a Cegueira"

Lisboa, 18 Mai (Lusa) - O escritor português José Saramago disse hoje ter "gostado muito" da obra "Blindness", adaptado do seu romance "Ensaio sobre a Cegueira", classificou-a como "um grande filme" e confessou que chegou a emocionar-se com algumas cenas.

"Gostei muito, muito, muito. Emocionei-me algumas vezes", disse o Nobel da Literatura, destacando uma "cena breve" em que nove mulheres passam atrás de uma janela em fila indiana.

"Talvez possam ser como a representação do destino ou da história da mulher ao longo dos tempos", acrescentou o autor que viu o filme numa sessão privada, sábado à noite.

José Saramago falava aos jornalistas durante uma conferência de imprensa conjunta com o realizador de "Blindness", o brasileiro Fernando Meirelles, que ocorreu no Palácio Nacional da Ajuda, onde está patente a exposição "José Saramago. A Consistência dos Sonhos", que ambos visitaram.

Sublinhando que a adaptação e o guião do filme estão muito bem feitos, o escritor afirmou que "Blindness" agradou-o "em todos os aspectos".

Perante os jornalistas, Saramago confessou o fascínio que tem pelo personagem do cão que lambe as lágrimas de uma mulher e admitiu que teria gostado que o animal escolhido para o filme fosse maior.

"Podiam esquecer tudo, mas gostava de entrar na história como o criador do cão das lágrimas. Confesso que aquele não é exactamente o que imaginei. E numa situação daquelas, de uma cidade reduzida ao caos, o cão não podia ser um cachorrinho", disse.

Para o escritor, o animal escolhido "não tem a potência dramática que tentou dar àquele personagem".

Questionado se conversou com Fernando Meirelles durante as filmagens de "Blindness", o Nobel da Literatura disse que se encontrou apenas com o realizador brasileiro no início do processo.

"Tenho o princípio de não interferir no trabalho de quem está a fazer o trabalho. Não gosto de dar sentenças. O realizador tinha de se sentir totalmente livre. Não era eu que lhe ia bater no ombro e dizer o que fazer. Não queria que qualquer palavra minha pudesse ser interpretada como a expressão de qualquer minha vontade", afirmou o escritor.

Quanto à possibilidade de Fernando Meirelles adaptar outro livro seu ao cinema, José Saramago disse que "não há nenhuma razão" para o realizador brasileiro ficar "agarrado" à sua obra, mas "se algum lhe interessar, conversaremos".

Num comentário às críticas pouco favoráveis que saíram do Festival de Cannes, onde "Blindness" foi o primeiro filme a ser exibido, o Prémio Nobel desvalorizou as opiniões dos críticos de cinema afirmando que o que os distingue de um qualquer apreciador de cinema é o facto de terem a possibilidade de publicar a sua opinião.

Por seu lado, o realizador brasileiro disse que houve "críticas boas e ruins", mas confessou que estava mais ansioso por ouvir a opinião de José Saramago.

"Estava mais ansioso do que quando mostrei o filme para três mil pessoas em Cannes", afirmou aos jornalistas, mostrando-se satisfeito por "Blindness" ter agradado a Saramago.

Questionado sobre se iria adaptar outra obra do autor português, Fernando Meirelles disse que dá sempre "um passo depois do outro" e não sabe o que vai fazer a seguir.

No entanto, admitiu que tem vontade de "fazer uma coisa mais leve", talvez uma comédia.

"As preocupações sociais fazem parte do meu universo de atenção. Mas agora queria trabalhar num assunto leve. Tenho feito filmes com temática muito dramática e queria uma coisa mais leve, como uma comédia", afirmou.

Quanto ao "Blindness", que chegará a Portugal em Novembro, Fernando Meirelles disse que a versão mostrada em Cannes é a 11ª edição montada do filme, que "ainda não está acabado".

"Como fomos fazer a abertura tivemos de o apressar, mas vai ter um último acerto e a versão que vai chegar a Portugal em Novembro não vai ser igual", afirmou.

Sobre a exposição que hoje visitou durante cerca de uma hora com o Nobel da Literatura, o realizador brasileiro mostrou-se surpreendido "pelo volume" da vida de Saramago.

"É perceber a história de uma vida. É muito emocionante perceber uma vida, ver o seu lado de inteligência, de política, de artista e de pai de família que tem de traduzir para trabalhar", disse.

MCL.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-05-18 16:05:03

18 de mai de 2008

Dez anos após 'Central do Brasil', ator volta ao cinema

Quem não se lembra do Josué, aquele menininho que encantou o público em “Central do Brasil”? Agora, dez anos depois do estouro do filme premiado em Berlim e indicado ao Oscar, o ator Vinícius de Oliveira volta ao cinema como protagonista em “Linha de passe”, que estréia no próximo sábado (17) no Festival de Cannes.

O diretor é o mesmo, Walter Salles, que apostou no talento de Vinícius quando ele ainda trabalhava como engraxate nas ruas. Mas a experiência de voltar ao set do cineasta uma década depois foi completamente diferente: “Em ‘Central’ ele foi mais paizão do que diretor, já em ‘Linha de passe’ teve outra postura”.

No novo filme de Salles, Vinícius interpreta Dario, um garoto que sonha virar jogador de futebol profissional, “uma figura tipicamente brasileira”, de acordo com o ator. Para interpretar o esportista, Vinícius dedicou quatro anos aos treinos e chegou a jogar com o time de juniores do Palmeiras. “Nunca fui um perna-de-pau”, brinca.

Em entrevista ao G1, Vinícius de Oliveira, de 22 anos, conta detalhes dos bastidores de “Linha de passe”, relembra sua experiência em “Central”, revela sua paixão pelo futebol e fala dos planos para o futuro. “Acho que tirei a sorte grande, mas também fiz por onde”, diz o ator, que apesar de saber o que quer, não esconde a timidez.

O que o público pode esperar do seu retorno ao cinema?

Vinícius de Oliveira – Um ator mais maduro e sólido, porque em “Central do Brasil” eu era um menininho e era a primeira vez. Eu tinha a espontaneidade a meu favor, mas não sabia direito o que estava fazendo. Hoje ainda me sinto aquele molequinho, mas talvez um pouco melhor. Eu era muito chato, sisudo, encrenqueiro, muito chatinho. Melhorei muito (risos).

Como foi voltar a estrelar um filme dez anos depois de 'Central'?

Vinícius – Foi natural. O Walter ia voltar a filmar no Brasil e disse que queria que eu fizesse o protagonista. Ele perguntou: “vamos lá?”. E eu respondi: “vamos”.

Como você descreveria o seu personagem em 'Linha de passe'?

Vinícius – O Dario é uma figura tipicamente brasileira: batalhador e sonhador. Desde cedo ele sonha ser jogador de futebol, mas hoje em dia ter talento apenas não basta. Tem que lutar para conseguir o que quer. Essa vontade de vencer nós temos em comum.

Como foi a preparação para viver o Dario?

Vinícius – Queria deixar bem claro que apesar de ter me preparado durante quatro anos para fazer um jogador de futebol, nunca fui um perna-de-pau (risos). Sempre joguei bem, não sou peladeiro. Comecei jogando na escolinha do Zico, onde fiquei alguns anos para pegar um profissionalismo no campo, o que o personagem exigia. Mais perto das filmagens, fui para São Paulo e treinei no time de juniores do Palmeiras. Foi muito prazeroso.

Quando começou essa sua relação com o futebol?

Vinícius – O futebol sempre foi uma paixão elevada na minha vida. Antes dessa história de ser ator, o meu sonho era ser jogador. Tudo que eu queria era estar na seleção brasileira, entrando em campo. Depois acabei desistindo.

Como foi voltar ao set de filmagem de Walter Salles dez anos depois?

Vinícius – O trabalho na época foi difícil, porque eu não sabia o que eu estava fazendo. Não entendia aquele processo todo. Como eu era o iniciante, o Walter foi mais paizão meu do que diretor. Já em “Linha de passe” ele teve outra postura, foi mais paizão da galera que estava entrando, apesar de sempre estar do meu lado. Na verdade, ele contou comigo para dar apoio aos meninos que estão começando agora.

Você foi selecionado para 'Central' de uma forma inusitada. Como você vê hoje o seu primeiro encontro com o diretor?

Vinícius – Eu estava trabalhando no aeroporto engraxando sapatos, e o Walter estava parado numa lanchonete. Eu resolvi parar e pedir para ele me pagar um lanche. Enquanto eu comia, ele ficou me observando, reparando no meu jeito e veio perguntar se eu queria fazer um teste. Eu respondi que tudo bem, mas não fui no teste, esqueci completamente. Até que um dia chegam duas pessoas me procurando no aeroporto. No início fiquei até com medo, mas acabei indo e deu tudo certo. Foi um momento inesperado, especial.

Como foi voltar à vida de menino normal depois do sucesso internacional de 'Central', com a vitória no Festival de Berlim e a indicação ao Oscar?

Vinícius – Foi muito tranqüilo. Não sou muito fã desse estrelismo, da fama, não gosto de muita agitação. Sou muito tímido para isso, prefiro ficar na minha.

E como é sua vida hoje?

Vinícius – Estudo na Puc e moro com meu tio em Jacarepaguá (Zona Norte do Rio). Meus pais são separados e também moram na cidade. Tenho quatro irmãs mais novas e um irmão mais velho. E continuo solteiro, porque as mulheres do Rio são muito difíceis, bem difíceis (risos).

Por onde você andou durante essa década entre 'Central' e 'Linha'?

Vinícius – Quando eu topei fazer “Central”, fizemos um acordo de que a produtora pagaria meus estudos até o fim. Por isso, agora eu estou no primeiro período da faculdade de Cinema. Fiz a novela “Suave veneno”, no TV Globo, um pouco de teatro e umas coisinhas aqui e ali. Não queria que o trabalho atrapalhasse meus estudos.

Você pretende continuar como ator ou pretende seguir outra carreira dentro do cinema?

Vinícius – Quero ser diretor. Acho que tem mais a ver comigo. Prefiro estar atrás das câmeras.

Por quê?

Vinícius – Por causa da vergonha, sou muito tímido.

E o Walter Salles, ele sabe disso?

Vinícius – Sabe, claro. Na verdade, a idéia foi dele. Bom, pelo menos eu já tenho um bom padrinho. Um ótimo padrinho, né? (risos)

O que você planeja para o futuro?

Vinícius – Espero poder passar minhas idéias através dos meus filmes. Sou uma pessoa muito do bem, muito pacífica e reflito muito sobre tudo de ruim que está aí fora. As injustiças me incomodam muito, e quero poder fazer minha parte nessa luta. Tenho essa responsabilidade, essa missão.

O que você está esperando da estréia de 'Linha de passe' em Cannes?

Vinícius – Apenas que o público goste do filme. Fora isso, só a indicação já foi ótimo. Foi a melhor coisa do mundo. Me considero um felizardo.

Hoje, como você vê essa sua trajetória, de menino engraxate a ator a caminho de Cannes?

Vinícius – Acho que, num primeiro momento, eu tirei a sorte grande. Mas eu também fiz por onde e soube aproveitar essa oportunidade que a vida me deu.

Fonte: G1 (18/05/2008 23:42h)

Assista ao trailer do filme 'Cada um com seu cinema' ('Chacun son cinéma')

Filme colaborativo de Walter Salles, Gus Van Sant, Manoel de Oliveira e outros. Longa feito por diretores de todo o mundo sobre a sala de cinema. Para comemorar os 60 anos do Festival de Cannes.


Diretores importados

Novo filme de Fernando Meirelles disputa a Palma de Ouro em Cannes

Walter Salles mostra seu novo filme em Cannes

Fernando Meirelles leva obra de Saramago para Cannes

Arnaldo Jabor analisa as inspirações e o sucesso do cinema brasileiro

17 de mai de 2008

Entrevista de Rodrigo Santoro na inauguração do Festival em Cannes

Trailler de Blindness - Ensaio sobre a Cegueira

Novo filme de Meirelles tem recepção fria em Cannes

Orlando Margarido
Direto de Cannes
Fonte: terra.com.br


O 61º Festival de Cinema de Cannes começou oficialmente com a exibiçãode Ensaio sobre a Cegueira, ou Blindness, o título original do filme do brasileiro Fernando Meirelles. Mas a imprensa já assistiu a esse primeiro filme da competição para a Palma de Ouro.

A recepção fria, sem aplausos, dá uma medida talvez da complexidade da produção em dialogar com o grande público que procura uma apreensão dividida por Meirelles em seu blog. Conta ponto para esse interesse a presença de astros internacionais como Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael Garcia Bernal e Danny Glover, além da atuação da brasileira Alice Braga.

"Esse filme foi mais ou menos como andar na corda bamba", disse o cineasta de Cidade de Deus ao Terra. "É um bom projeto para quebrar a cara e mesmo agora, com o filme pronto, ainda fico esperando alguma coisa errada acontecer, estou sempre inseguro com ele", completou o diretor.

Acompanhado do elenco principal, exceto Ruffalo, e do roteirista e também ator na fita Don Mckellar, Meirelles confirmou muito do que já havia dito anteriormente. Foram dez edições até que a montagem desta adaptação do livro homônimo do português José Saramago estivesse pronta. Uma das questões mais questionadas por sessões especiais da fita foi a violência de cenas, como as de estupro e uma morte por facada.

Contribuiu muito para um ponto final, segundo o diretor, o convite do festival enviado na última hora para a fita abrir a competição da mostra francesa, numa rara situação na história de Cannes em que um filme de abertura concorre a Palma de Ouro. "De qualquer maneira, uma hora a coisa teria de acabar", disse. "Cada dia somos uma pessoa diferente, então se deixarmos podemos ficar montando por anos a fio; coloquei um pouco de racionalidade no processo e parei."

Na história de Ensaio sobre a Cegueira, co-produção entre Brasil, Canadá e Japão, uma epidemia começa a deixar cegos os habitantes de uma grande cidade - o cenário da fita inclui São Paulo com uma direção de arte impressionante - sem nenhuma explicação lógica. Aos poucos, eles são retirados da convivência social e aprisionados num hospital desativado. Entre eles, está o oftalmologista vivido por Ruffalo e sua mulher, interpretada por Julianne Moore, a única que mantém a visão, mas decidi acompanhar o marido na reclusão.

Ali, trancafiados, os cegos passam a ter uma convivência subumana. "Foi um processo muito doloroso e difícil para todos nós do elenco imaginar uma tragédia dessas, não só se tornar cego de uma hora para outra, mas ter de lutar pela sobrevivência, comida e, acho o que mais me abalou, pela dignidade", disse Julianne Moore, que está loira no filme. "Achei que a personagem tem uma espécie de missão angelical na primeira parte do filme, por isso falei da idéia de pintar o cabelo; o vermelho só iria aguçar mais a aparência de inferno do local."

Meirelles já havia contado ao Terra do que o atraiu no livro para decidir adaptá-lo. "A idéia da fragilidade de nossa civilização, que consideramos tão sólida e sofisticada; o filme nos lembra que somos animais primitivos com um leve verniz de civilidade; ao raspar-se esse verniz, o fulano mata o outro no congestionamento, invade o Iraque...". Don McKellar completou: "O filme é uma alegoria do colapso de nosso tempo".

Na saída da primeira exibição da fita, não era acerca disso os comentários preferidos dos jornalistas. Muitos falaram da bela fotografia de César Charlone, outros da boa atuação do elenco, mas levantaram a idéia de que o filme por vezes não consegue soar plausível e isso condenaria a seriedade.


16 de mai de 2008

O famoso Tapete Vermelho, em Cannes

Prédio onde o Festival de Cannes é realizado atualmente

Festival de Cannes

O Festival de Cannes, criado em 1946, conforme concepção de Jean Zay, e até 2002 chamado Festival international du film, é o mais prestigiado e famoso festival de cinema do mundo. Acontece todos os anos, no mês de maio, na cidade francesa de Cannes.

O "mercado do filme" (marché du film) acontece paralelamente ao festival.

História

No final dos anos 1930, chocado pela ingerência dos governos fascistas alemão e italiano na seleção dos filmes da Mostra de Veneza, Jean Zay, ministro da Instrução pública e de Belas Artes, propõe a criação, em Cannes, de um festival cinematográfico de nível internacional. Em junho de 1939, Louis Lumière aceita ser o presidente da primeira edição do festival, que deveria acontecer do 1 ao 30 de setembro. A declaração de guerra da França e do Reino Unido à Alemanha em 3 de setembro põe fim prematuramente a essa decisão, apesar de o prêmio ter sido atribuído a Union Pacific, de Cecil B. DeMille.

A primeira edição do festival aconteceu realmente em 1946. O festival não aconteceu em 1948 e 1950 por problemas financeiros. Em 1955, foi introduzida pelo comitê organizador a Palma de Ouro como prêmio principal do evento - antes desta data, ele era conhecido como Grand Prix du Festival international du Film.

O festival de 1968 foi interrompido em 19 de maio. Na véspera, Louis Malle, demissionário do júri, François Truffaut, Claude Berri, Jean-Gabriel Albicocco, Claude Lelouch, Roman Polanski e Jean-Luc Godard, ao penetrarem na grande sala do Palácio, haviam exigido a interrupção da projeção em solidariedade aos operários e estudantes em greve.

A edição de 2006 teve júri presidido pelo cineasta chinês Wong Kar Wai (de Amor à Flor da Pele e 2046). O prêmio principal, esperado para o mexicano Alejandro González Iñárritu (que ganhou o troféu como melhor diretor por [[Babel (filme)|Babel), acabou saindo para o realizador inglês Ken Loach, com The Wind That Shakes the Barley. Com isso, o Reino Unido empatou em quantidade de prêmios Palma de Ouro com a França (nove). Um dos destaques do evento foi o longa português Juventude em Marcha, de Pedro Costa.

Brasil e Portugal em Cannes

  • 1953 - Melhor Filme de Aventura - O Cangaceiro, de Lima Barreto.
  • 1962 - Palma de Ouro - O Pagador de Promessas, dirigido pelo brasileiro Anselmo Duarte, primeiro filme em língua portuguesa a receber o principal prêmio de Cannes.
  • 1967 - Prêmio da Crítica Internacional - Terra em Transe, de Glauber Rocha.
  • 1969 - Melhor Direção - Glauber Rocha, por O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro.
  • 1977 - Prêmio Especial do Júri - curta-metragem - Di Cavalcanti, de Glauber Rocha.
  • 1982 - Melhor Curta-Metragem de Animação - Meow, de Marcos Magalhães.
  • 1986 - Melhor Interpretação Feminina - Fernanda Torres, por Eu Sei que Vou Te Amar, de Arnaldo Jabor.
  • 1997 - Prêmio da Crítica Internacional - Viagem ao Princípio do Mundo, de Manoel de Oliveira.
  • 1999 - Prêmio Especial do Júri - A Carta, de Manoel de Oliveira.
  • 2002 - Primeiro Prêmio Cinéfondation (para filmes universitários de até 60 minutos) - Um Sol Alaranjado, de Eduardo Valente.

Seções do Festival de Cannes

A seleção oficial
  • Longa-metragens em competição (Longs métrages en compétition)
  • Longa-metragens fora de competição (Longs métrages hors compétition)
  • Um certo olhar (Un certain regard)
  • Curta-metragens em competição (Courts métrages en compétition)
  • Cine-fundação (Cinéfondation)
As seções paralelas
  • A Semana da crítica (La Semaine de la critique)
  • A Quinzena dos diretores (La Quinzaine des réalisateurs)

Prêmios

Longa-metragens da competição oficial
  • A Palma de Ouro (Palme d'or) recompensa o melhor filme.
  • O Grande prêmio (Grand Prix) recompensa o filme que manifesta a maior originalidade ou espírito de pesquisa.
  • O Prêmio de interpretação feminina (Prix d'interprétation féminine) recompensa a melhor atriz.
  • O Prêmio de interpretação masculina (Prix d'interprétation masculine) recompensa o melhor ator.
  • O Prêmio de adaptação (Prix de la mise en scène) recompensa o melhor diretor.
  • O Prêmio de cenário (Prix du scénario) recompensa o melhor cenarista.
  • O Prêmio do Júri (Prix du jury)
Curta-metragens da competição oficial
  • A Palma de ouro do curta-metragem (Palme d'or du court métrage) recompensa o melhor curta-metragem.
  • O Prêmio do júri (Prix du jury du court métrage)
Seleção oficial (competição e Un certain regard), a Quinzena dos diretores e a Semana da crítica
  • Câmera de ouro (Caméra d'or) recompensa o melhor primeiro filme do conjunto dessas seções.

"Macunaíma" representa o cinema nacional no Festival de Cannes

A edição deste ano da Quinzena dos Realizadores, uma das mostras do Festival de Cannes, trará uma retrospectiva dos 40 anos de sua realização. Entre os filmes selecionados há apenas um longa-metragem brasileiro: Macunaíma. Outros selecionados foram "Caminhos Violentos", de Martin Scorsese, e "O Império dos Sentidos", de Nagisa Oshima. (O Globo)

Mais um filme brasileiro é selecionado para o Festival de Cannes

Uma das novidades de última hora foi o convite a mais um longa-metragem brasileiro, o documentário "O Mistério do Samba", de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda. O filme, co-produção entre a Conspiração Filmes e a Phonomotor, será exibido no último dia do festival, fechando a mostra Cinéma de la Plage. No Brasil, a previsão é que sua estréia ocorra no 2º semestre.

Começa o Festival de Cannes

Teve início dia 14 o 61º Festival de Cannes, o maior festival de cinema do planeta. A abertura foi com a co-produção brasileira "Ensaio Sobre a Cegueira", dirigido pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles e baseado em livro homônimo de José Saramago, que dividiu a imprensa americana e européia. Outros filmes que estarão presentes na mostra competitiva são "Changeling", de Clint Eastwood; "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas; e "Che", de Steven Soderbergh.

26 de abr de 2008

Mandacaru Vermelho


País de Origem: Brasil
Direção: Nelson Pereira dos Santos
Roteiro: Nelson Pereira dos Santos
Fotografia: Hélio Silva
Música: Remo Usai
Elenco: Nelson Pereira dos Santos, Sônia Pereira, Ivan de Souza, MiguelTorres, Jose Telles, Luiz Paulino dos Santos, Mozart Sintra.

Sinopse: Uma moça do Sertão Nordestino passa a noite com um vaqueiro e apaixona-se. Os dois fogem em busca do vigário. A família da jovem vai atrás do casal pois ela já está prometida a outro homem. A perseguição termina de modo violento e do sangue dessa disputa nasce uma árvore, o Mandacaru Vermelho.

Resumo: É uma espécie de bang-bang sertanejo produzido pelo diretor que também é o principal protagonista, para substituir o projeto original que era filmar uma adaptação do livro de Graciliano Ramos – Vidas Secas. Fato é que houve chuvas torrenciais no sertão baiano além de apareceram outros contratempos que determinaram essa substituição.
QUANDO O CINEMA ERA...

FOTOGRAFIA


por João Lopes


Não é preciso recuar muito no tempo para nos lembrarmos das fachadas dos cinemas com gigantescos cartazes e, em particular, das fotografias cartonadas que, nas vitrinas das salas ou junto às bilheteiras, serviam para apresentar os filmes. Hoje em dia, nos multiplexes, o essencial da informação sobre os filmes está num quadro luminoso: luzes a piscar anunciam o título, eventualmente a classificação etária e o horário das sessões. Nasceu mesmo uma franja de público que já não tem qualquer paixão ou expectativa cinéfila: é um público sem gosto específico que escolhe ir ver um filme pelo horário mais próximo ou mais vantajoso...

Dave Kehr, crítico de cinema de The New York Times, faz-nos saber que há todo um revivalismo em torno desses materiais antigos de promoção do cinema, em particular das fotografias cartonadas. Em artigo publicado na American Photo de Março/Abril, Kehr refere o impulso coleccionista que, nos EUA, conferiu novo valor aos materiais "primitivos" de promoção dos filmes. O género de terror, em particular os clássicos dos anos 30 dos estúdios Universal, tem a sua cotação em alta. Assim, por exemplo, em Novembro de 2007, uma fotografia cartonada de Drácula (1932), de Tod Browning, com Bela Lugosi, foi vendida pelas Heritage Auction Galleries por nada mais nada menos que 65 725 dólares (cerca de 42 mil euros).

Entre os materiais que passaram a ser reconhecidos pelo seu genuíno valor artístico estão sobretudo imagens de filmes dos anos 30/40, mas também do pós-guerra. As memórias iconográficas podem pertencer a raridades como Fazil (1928), um dos primeiros trabalhos de Howard Hawks, ou a obras consagradas como Fallen Angel (1945), de Otto Preminger, há muito reconhecida como uma pérola do filme negro (entre nós: Anjo ou Demónio). Na prática, as fotografias cartonadas continuaram a existir até à década de 80, sendo progressivamente abandonadas em favor da publicidade televisiva. Exemplos como o de Fallen Angel permitem perceber o sofisticado "artesanato" ligado a este tipo de imagens: o filme é a preto e branco, mas as fotografias promocionais apresentavam-se trabalhadas numa requintada paleta de cores, a meio caminho entre a sépia e a sugestão dos tons do technicolor da época.

Há em toda esta história um sintoma que vale a pena sublinhar. Poderemos chamar-lhe o progressivo afastamento entre cinema e... fotografia. Não que o imaginário cinematográfico se possa pensar fora da multiplicidade das técnicas fotográficas. Em todo o caso, com o triunfo das linguagens televisivas e, mais recentemente, através da generalização dos processos digitais, os materiais especificamente fotográficos perderam o seu valor (comercial) na apresentação e difusão dos filmes.

Fica, por isso, um sentimento de mágoa. Os espectadores que dependem apenas de um spot promocional (visto num ecrã de televisão ou, algures, no labirinto da Internet) vivem, de facto, num universo cinematográfico virtual, distante e imaterial. Descobrir os filmes através das respectivas fotografias expostas à entrada das salas de cinema é um hábito que se perdeu. Um hábito e, claro, também o prazer a ele associado...

22 de abr de 2008

Do Lula operário ao Lula presidente

Vídeo que contrapõe audiovisualmente os filmes Peões e Entreatos.


Entrevista com Eduardo Coutinho





Paulo Autran fala de Glauber Rocha

Paulo Autran e Paulo Gil Soares falam de Glauber Rocha - 2004.

Trailer de A VIA LÁCTEA

Trailer final de A VIA LÁCTEA, filme de Lina Chamie com Marco Ricca, Alice Braga e Fernando Alves Pinto.

Sinopse
Heitor e Júlia namoram há algum tempo. É entardecer na cidade de São Paulo e o casal tem uma violenta discussão por telefone. Angustiado, ele pega seu carro e vai em direção à casa da namorada.

Durante o trajeto pelas ruas de São Paulo, no rush-hour do início da noite, o trânsito, os engarrafamentos, os pedestres, os meninos nas esquinas, os bares, a paisagem urbana, tudo interage com Heitor e suas digressões amorosas.

Nesse espaço indefinível, os limites entre vida e morte, espaço e tempo, são da classe das estrelas e dos sóis: explodem anos-luz de distância para brilhar uma noite sobre São Paulo e inspirar um terno beijo de amor. Ou de morte.


Omelete Entrevista: Cláudio Torres

O roteirista e diretor da comédia romântica "A Mulher Invisível" aproveitou um espaço entre as filmagens e conversou com o editor Marcelo Forlani.

Omelete Entrevista: Alice Braga

Para promover Eu Sou a Lenda (I am Legend), a atriz brasileira Alice Braga conversou com o editor do Omelete, Érico Borgo.


Ó Pai, Ó

Wagner Moura

21 de abr de 2008

Falsa Loura (Carlos Reichenbach - 2008)


Operária especializada e competente, a bela Silmara (Rosanne Mulholland) sustenta o pai, Antero (João Bourbonnais), um ex-presidiário físicamente deformado pelo fogo e tenta a todo custo reatar relações amigáveis entre o pai e o irmão caçula, o cabelereiro Tê (Léo Áquila). Apesar de atrair e ser atraída pelos homens, Silmara mantém um ambíguo relacionamento com a professora de dança Regina (Luciana Brites). Silmara compensa a deprimente miséria familiar com um comportamento aparentemente agressivo, fútil e despachado. Na fábrica, ela é instada por sua melhor amiga, a também operária Luiza (Vanessa Prieto), a se tornar a "pigmalião" da tímida, desajeitada e solitária Briducha (Djin Sganzerla). Silmara, Briducha e a professora municipal Ligia (Maeve Jinkings), juntam suas economias para assistir o show do grupo "Bruno e seus Andrés", no Clube Alvorada. Ao se envolver emocionalmente com o ídolo Bruno de André (Cauã Reymond), Silmara passa a representar para suas amigas do trabalho a utópica possibilidade de rápida ascensão econômica e social e se torna um mito entre as colegas Milena (Suzana Alves), Valquíria (Priscila Dias), Fátima (Naruna Costa) e Rosecler (Ingrid Silveira). Somente Luiza, sua confidente, fica sabendo que Bruno a tratou como uma réles prostituta. Ao mesmo tempo, ela desconfia que o pai voltou a atividade de incendiário profissional. Apesar da brutal lição de desprezo com o ídolo pop, Silmara irá repetir o mesmo trajeto abissal quando, através da intermediação do poderoso advogado Dr. Vargas (o cineasta e jornalista Bruno de André), é contratada para passar um final de semana como acompanhante do maior cantor da música romântica brasileira, Luís Ronaldo (Maurício Mattar) e de seu filho Leonel (Emanuel Dórea).

Premiações

- Candango de Melhor Atriz Coadjuvante para Djin Sganzerla, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 2007.

Curiosidades

- Apresentado pela primeira vez no FEstiva de Brasilia, no dia 24 de novembro de 2007.

- Originalmente foi um dos quatro roteiros que Carlos Reichenbach escreveu, estimulado pela Bolsa Vitae, que buscavam retratar o seu imaginário a respeito da mulher operária.

- Em Falsa Loura, Reichenbach mergulha novamente no universo das mulheres proletárias e classe média brasileiras, no ambiente de trabalho e no tempo livre, tendo a cidade de São Paulo como cenário e personagem. As semelhanças com "Lílian M.", "Amor, Palavra Prostituta", "Anjos do Arrabalde" e "Garotas do ABC" terminam no aspecto social e econômico abordado.

- As filmagens foram encerradas no dia 08 de dezembro de 2006, em uma feira da Vila Maria, SP.

- Seleção Fundação Vitae para elaboração de roteiros 1995

- Seleção Oficial Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 2007 – Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante

-Seleção Oficial Festival Internacional del Nuevo Cine. Latinoamericano de La Habana 2007

- O filme foi escolhido para abrir o Festival Sesc dos Melhores Filmes 2008, e a 11ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

- Canções - Paulo Ricardo, Alexandre Leão, Isolda & Milton Carlos, Carlos Reichenbach e a TRUPE.

Rogério Sganzerla


Natural de: Joaçaba, SC, Brasil
Nascimento: 1946
Falecimento: 09 de Janeiro de 2004

Filmografia

2003 - Signo do Caos
1997 - Tudo é Brasil
1993 - Perigo Negro
1992 - Oswaldianas
1989 - A Linguagem de Orson Welles (curtametragem)
1986 - Nem Tudo é Verdade
1991 - Isto é Noel
1990 - Anônimo e Incomum
1981 - Noel por Noel (curtametragem)
1981 - Brasil (curtametragem)
1977 - O Abismu
1976 - Viagem e Descrição do Rio Guanabara por Ocasião da França Antártica (Villegaignon)
1975 - Copacabana Meu Amor
1971 - Fora do Baralho
1971 - Sem Essa Aranha
1970 - Carnaval na Lama (Betty Bomba, a Exibicionista)
1970 - Sem Essa, Aranha
1969 - Mulher de Todos
1968 - O Bandido da Luz Vermelha
1968 - HQ (curtametragem)
1966 - Documentário (curtametragem)

Prêmios

- Rogério Sganzerla ganhou o Candango de melhor diretor pelo filme O Signo do Caos, que também ganhou como melhor montagem, feita em parceria com Silvio Renoldi, no 36º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, 2003

- Condecorado com a Ordem do Mérito Cultural, em dezembro de 2003.

Curiosidades

- Estreou na direção de longas em 1968 com O Bandido da Luz Vermelha, depois de uma carreira de quatro anos como crítico de cinema no jornal O Estado de São Paulo. Ainda muito jovem, foi acolhido por Décio de Almeida Prado, que na época dirigia o Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo, e seu texto de estréia foi sobre Os Cafajestes, filme de Ruy Guerra de 1962. Continuou no Suplemento e colaborou também com o Jornal da Tarde. Sempre escrevendo sobre cinema.

- No ano seguinte dirigiu A Mulher de Todos, estrelado por sua mulher Helena Ignez

- Em 1970 fundou a produtora Bel-Air, responsável por filmes do diretor como O Abismo (1977), Nem Tudo é Verdade (1986) e Tudo é Brasil (1997).

- Em 1990, Rogério Sganzerla dirige o vídeo Anônimo e Incomum, sobre os trabalhos do artista Antonio Manuel da Silva Oliveira .

- Nem Tudo é Verdade é o primeiro filme da trilogia idealizada por Sganzerla sobre a visita de Welles ao Brasil. Foi seguido de Tudo É Brasil.

- Tudo é Brasil foi montado na moviola, na mão mesmo, sem hi-tech, com exceção do som, feito no computador.

- Mesmo fragilizado por complicações de saúde devido a um câncer no cérebro, continou produzindo seus filmes o último foi Signo do Caos, o diretor apresentou a sessão especial do filme no Odeon BR, na noite de segunda-feira (29/09/2003), em uma cadeira de rodas, e foi aplaudido de pé pela platéia.

- Em O Signo do Caos, Sganzerla usou, pela primeira vez, o formato de película em super-16 mm, o que lhe permitiu uma fotografia bem contrastada. Tambem foi obrigado a montar sua própria sala de edição a fim de realizar o trabalho nos detalhes previstos.

- Homenageado no Dia Nacional da Cultura e do Cinema Brasileiro, em 5 de Novembro de 2003, com a exibição do seu primeiro longa-metragem O Bandido da Luz Vermelha.

- Além de cinema, Sganzerla enveredou pelo teatro. Dirigiu as peças "Savannah Bay", de Marguerite Duras que tinha sua filha Djin Sganzerla e a mulher Helena Ignez no elenco,"O belo indiferente", de Jean Cocteau e "A maja desnuda", sobre a vida e a obra de Goya.

- Sganzerla morreu com um sonho: refilmar seu clássico O Bandido da Luz Vermelha com Alexandre Borges no elenco. "Agora seria em cores, menos intelectualizado, mais pop, mais gibi, e com atores globais no elenco. O Alexandre Borges seria perfeito para fazer o bandido" disse em entrevista em 1998 ao jornal O Globo.

- Sganzerla, hospitalizado para se recuperar de uma cirurgia no cérebro, não compareceu a apresentação de seu filme no 36º Festival de Cinema de Brasília. Mas antes da exibição sua mulher, Helena Ignez, atriz coadjuvante do filme, subiu ao palco, ao lado da filha Djin e dos atores Guará Rodrigues e Otávio Terceiro, e leu um texto escrito pelo diretor :

"A idéia de justiça relacionada à beleza, numa era impossível. Resumo da ação: um louco se rebela, atira um sonho na noite dos tempos e paga caro seu compromisso com a verdade nua e crua. Este é o país do tenha a paciência, do espere até amanhã, do depois de amanhã... Em tudo é o mesmo. Nosso país é o mesmo com todos os seus censores curadores feitores malfeitores e manipuladores de opinião pública em geral, que estrangulam a atividade inventiva do cinema. Afinal, o olho não mente e a tela deve falar de sua própria linguagem, concebida no momento da criação.

Ninguém pode negar o direito de existência de um filme. Há que respeitar o direito de existir um trabalho assim significativo. Mais do que nunca é preciso compreender que existem várias maneiras de ver e viver o cinema, para decifrar a incógnita de sua existência, ao se reassumir como protagonista de si mesmo. Doutor Amnésio brinda ao final dos tempos: - geladeira para sempre! Qual o futuro desse filme? Nenhum...

Sem deixar de punir a obra, condenando ao perpétuo desprezo e castigando o atrevimento do monomaníaco em questão, por acaso um dos maiores cineastas do mundo, na época em que se passa a ação. Enfim, um louco se revela contra tudo, atira a felicidade pela janela e manda lavrar a ata com o resultado. Não sentindo nenhum vexame político, ou comoção poética. Sente na pele a revolta social e constrói no Brasil uma divina comédia às avessas."

- Falece no dia 9 de Janeiro de 2004, em São Paulo. Ele tinha um tumor no cérebro. O cineasta estava internado no Hospital do Câncer, na capital, por 20 dias.

Trailer: Os Matadores de Beto Brant

Fernando Meirelles (Novo Cinema)

O cineasta Fernando Meirelles, fala sobre como começou sua carreira no cinema. Sobre o "Cinema Novo" e seu "Novo Cinema"! Fala sobre seus filmes e outros filmes que foram uma escada no crescimento do cinema nacional. E com exclusividade, fala sobre seus novos projetos cinematográfico como: Intolerância 2 e Grandes Sertões de Veredas.





O Cinema de Walter Salles

A morte na poesia ou a poesia da morte

Cena de Terra em Transe de Glauber Rocha.

Trailer Cão sem Dono

"CÃO SEM DONO",
um filme de BETO BRANT E RENATO CIASCA
Com JULIO ANDRADE, TAINÁ MULLER
Baseado no livro "Até o Dia em que o Cão Morreu" de Daniel Galera.

Ação entre Amigos (Beto Brant - 1998)




Em 1971, Miguel, Paulo, Elói e Osvaldo participaram da luta armada contra a ditadura militar e acabaram sendo presos quando tentavam assaltar um banco. Eles foram barbaramente torturados, sendo que Lúcia, a namorada de Miguel que estava grávida, morreu quando seus algozes colocaram nela uma "coroa de cristo" até estourar seu cérebro. Vinte e cinco anos depois, os quatro amigos ainda se vêem e quando vão para uma pescaria Miguel mostra aos amigos uma foto de um encontro político em São Paulo, afirmando que uma das pessoas fotografadas foi Correia , o homem que os torturou por meses.

Premiações
- Recebeu uma indicação ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

- Recebeu uma indicação ao BAFTA, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Curiosidades
- O diretor Walter Salles teve a idéia de levar o livro Abril Despedaçado aos cinemas há 3 anos, quando o leu em meio ao lançamento de Central do Brasil.

Batalha dos Guararapes, O Príncipe de Nassau (Paulo Thiago - 1978)


"O filme faz uma reconstituição dos principais episódios da batalha entre holandeses e luso-brasileiros nas cercanias de Recife/PE. Revela quais as forças econômicas e políticas que moveram aquele período, em vez de desmistificar os heróis do episódio. O pano de fundo e o nascimento do capitalismo mercantil." Início do século XVII. Os holandeses ocupam o arraial do Bom Jesus, último reduto dos nativistas na capitania de Pernambuco. O aventureiro João Fernandes Vieira decide aderir aos dominadores, opondo-se à resistência de André Vidal de Negreiros. Ligando-se ao conselheiro, representante máximo dos interesses da Companhia das Índias Ocidentais na capitania, Vieira torna-se cobrador de impostos, enriquece e tem um romance rumoroso com a viúva Ana Paes, que lutara ao lado dos nativistas.Favorece-lhe a ascensão sua amizade com Maurício de Nassau. Este, no governo, revela-se um estadista de larga visão política e cultural mas suas idéias chocam-se com os interesses da Companhia criando sucessivas crises econômicas e políticas. Sentindo a gradativa diluição do poderio de Nassau, Vieira une-se à luta para a expulsão dos holandeses, com o auxílio de frei Salvador. Em posição delicada, Nassau tenta um último ato de participação com a festa do Boi Voador, medida de abertura econômica aos brasileiros e política, permitindo que Vidal de Negreiros - que entrara clandestinamente no Recife - entregue-lhe uma carta do rei de Portugal. Nassau é destituído e Vieira parte para o interior. Deixa Ana mais uma vez só, levando-a a aceitar uma ligação com o conselheiro. A guerra se avizinha. Chega afinal o esperado apoio de Portugal e os holandeses são derrotados em Guararapes pelas tropas nativistas, com o auxílio dos escravos revoltosos de Henrique Dias e os índios de Felipe Camarão. Ana e Vieira reencontram-se, reconhecendo estarem definitivamente separados.

Curiosidades

- Trata-se de uma superprodução nacional que teve a participação de 120 atores e mais de 3 mil figurantes sob a produção de Carlos Henrique Braga, um ex-oficial da Marinha, também empresário.

- É considerada a primeira superprodução brasileira, representou o Brasil no Festival de Moscou.

- Teve um impacto inegável no meio cultural pernambucano, desencadeando inclusive discussões sobre um possível pólo de cinema.

- Foi rodado em Igarassu, Itamaracá e no próprio Monte Guararapes, com tomadas aéreas.

- A batalha dos Guararapes foi um dos filmes mais caros e ambiciosos já feitos no Brasil. Custou, na época, 3,5 milhões de dólares.

- Foi rodado em Pernambuco, com a ajuda do Exército, em pleno governo do general João Batista Figueiredo.

- Atuação de José Wilker como João Fernandes.

- Também atuaram: Renée de Vielmond (Ana Paes), Jardel Filho (Maurício de Nassau), Joel Barcelos (conselheiro), Jofre Soares (Frei Salvador), Nildo Parente (general von Schkoppe), Roberto Bonfim (Felipe Camarão), José Pimentel (André Vidal de Negreiros), Marcus Vinícius (Henrique Dias), Fausto Rocha Júnior (capitão Tourlon), Tamara Taxman ( Sara Hendricks), Cristina Aché (dona Maria Cezar), Germando Haiut (general Artichofsky), Ednaldo Lucena (Francisco Berenguer), Carlos Reis (George Marc Grave).

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Jornal da Época:


"Batalha dos Guararapes"

O fracasso de bilheteria de "Batalha dos Guararapes". de Paulo Thiago, produção de Cr$ 40 milhões (a mais cara do cinema nacional), lançada simultaneamente em 250 cinemas em todo o País (quatro em Curitiba) é sintomática: veio demonstrar o grande equívoco de nossos produtores, em acreditar que fenômenos isolados como "Dona Flor e Seus Dois Maridos" de Bruno Barreto e "Xica da Silva" de Cacá Diegues, podem ser repetidos com [freqüência]. Como "Batalha dos Guararapes" não faturou nem Cr$ 100 mil em Curitiba, desde segunda-feira, dois dos quatro cinemas que o [exibem] já mudaram o programa: "O Animal", comédia francesa sobre as aventuras de um "stunt-man" (Jean Paul Belmondo) e uma atriz sexy (Raquel Welch) entrou no Cine Rivoli, enquanto que no Vitória - paralelamente ao Bristol e São João - estreou a pornocomédia "O Homem de Itu de José Miziara. O produtor do filme Anibal Massaini Neto e o astro principal, Nuno Leal Maia, estiveram na cidade, badalando a fita que deverá, na opinião de João Aracheski, executivo da Fama Filmes, faturar em sete dias aquilo que "A Batalha dos Guararapes" não conseguirá em um mês". No elenco de "O Bem Dotado/O Homem de Itu" estão atrizes veteranas - como Consuelo Leandro, Lola Brah, Esmeralda de Barros, bem despidas - como Marlene França, Helena Ramos, Aldine Muller, além da bela Ana Maria Nascimento e Silva, que é uma das filhas do ministro da Previdência.

Os melhores programas neste final de semana ficam por conta das sessões da meia-noite e meia no Astor: hoje, a aguardada reprise de "Casa de Bonecas" que Joseph Losey rodou em 1973, baseado na peça de Henryk Ibsen (1822-1906) escreveu em 1879 - e que no teatro, foi vista em Curitiba, há cinco anos passados, com Tonia Carrero e Carlos Kroeber `´a frente do grande elenco. Agora é a maravilhosa Jane Fonda que está na cabeça do elenco desta versão do famoso texto. Amanhã, o penúltimo longa-metragem de Ingmar Bergman, "Face a Face", que mereceria ter um relançamento normal. A propósito, para entender melhor a obra (difícil) do [cineasta] sueco, recomendamos a leitura de "O Cinema Segundo Bergman" (Editora Paz e Terra S/A, 245 páginas, Cr$ 120,00), coleção de 13 entrevistas de Bergman aos críticos suecos Stig Bjorkman, Torsten Manns e Jonas Sima. Com este livro, a Paz e Terra está dando [seqüência] a uma valiosa biblioteca de livros sobre cinema, por onde já apareceram obras de Glauber Rocha, Jean Claude Bernardet, Leif Fuhammar/Folke Isaksson e Ismail Xavier.

No mais, "Laranja Mecânica", de Kubrick no Astor, merece sempre uma revisão.

Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Veículo: Estado do Paraná
Caderno ou Suplemento:
Nenhum
Coluna ou Seção:
Cinema
Página:
3
Data:
06/10/1978

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BATALHA DOS GUARARAPES III
Um fracasso de US$ 3,5 milhões

por KLEBER MENDONÇA FILHO

Em 1978, o Cinema Nacional produziu Batalha dos Guararapes, um dos filmes mais caros e ambiciosos já feitos no Brasil. Para terem uma idéia, custou, há 20 anos, US$ 3,5 milhões, enquanto Central do Brasil, hoje, saiu por U$ 2,9 milhões. Foi rodado em Pernambuco, com a ajuda do Exército, em pleno Governo de João Batista Figueiredo.

Teve a participação de 120 atores e mais de 3000 figurantes sob a produção de Carlos Henrique Braga, um ex-oficial da Marinha, também empresário. O filme foi ainda co-filhote da Embrafilme, aqui mais uma vez, e em grande estilo, alvo de todo tipo de crítica em relação à queima de dinheiro público, principalmente depois que o filme transformou-se num enorme fracasso de bilheteria.

Batalha foi dirigido por Paulo Thiago, que fez recentemente Policarpo Quaresma. No Recife, durante o último Festival de Cinema, Thiago lembrou a experiência de fazer o épico, algo que ele descreve como um projeto pessoal do produtor, Braga, que articulou boa parte da verba e também o apoio dos militares. Segundo Thiago, esse ponto colocou a produção automaticamente em rota de colisão com a esquerda, principalmente a Imprensa, afinal de contas, era um filme realizado com o selo de aprovação do governo.

Thiago também revelou que, depois do fracasso nos cinemas, Braga ficou bastante desgostoso e recolheu o filme. Hoje, só ele tem acesso à obra. O próprio diretor tem em casa apenas uma cópia em VHS, do seu filme. Ele crê que, se visto hoje, Batalha dos Guararapes poderia ter uma nova leitura, principalmente pela ausência da questão política.

BATALHA DOS GUARARAPES II - Seria realmente interessante ver o filme hoje, especialmente no seu aniversário de 20 anos, este ano. Sabe-se que a fotografia de Mario Carneiro e música de Guerra Peixe foram destacadas em algumas críticas. No elenco, gente como Jardel Filho, José Wilker, Renée de Vielmond, Roberto Bonfim, a lista é extensa. Poucos atores locais foram utilizados, como Jones Melo, mas a produção deu emprego a muita gente, grande parte como figurantes, muitos deles, diz a lenda, de relógio!

O filme teve um impacto inegável no meio cultural pernambucano, desencadeando inclusive discussões sobre um possível pólo de cinema, aliás uma discussão que está de volta, hoje! Foi rodado em Igarassu, Itamaracá e no próprio Monte Guararapes, com helicópteros da aeronáutica servindo de apoio para tomadas aéreas.

O impacto do filme foi também registrado no curta em Super8 Batalha dos Guararapes II, de Fredi, Geraldo Pinho (hoje, responsável pelo Cinema do Parque) e Paulo André Leitão (hoje, na Rede Tribuna). O filme ganhou o segundo lugar no II Festival de Cinema Super8 do Recife, em novembro de 1978. Trata-se de uma sátira ao épico de Thiago, pois mostrava a batalha do pernambucano, diariamente, tentando ganhar a vida informalmente na nossa famosa avenida.

O Cheiro do Ralo (Heitor Dhalia - 2007)


E não é que aquela bunda, de fato, era bonitinha, lisinha, redondinha, durinha. Enfim, perfeita!!! Nenhum homem assiste a esse filme sem refletir a partir de parâmetros bundológicos sobre a razão de sua existência neste planeta. Não que uma bunda seja tudo na vida. Mas, uma bunda dessas, realmente, parece ser algo preciosamente importante para quem a perseguiu todas as manhãs sob o pretexto de fazer o desjejum (inclusive, tendo de comer porcarias que não lhe apeteciam). O que dizer do inclinar-se, aparentemente ingênuo (mas, suficientemente eficaz), da garçonete para pegar um “refri”?

Nossa... às vezes tenho vontade de rever o filme só para dar mais uma sacadinha naquela bunda. E que bunda!!!

Enzo Zanchetta.

Trailer de Rio Babilônia Neville de Almeida 1982

O relações públicas Marciano é contratado para recepcionar o poderoso industrial Liberato. Em meio a festas e orgias ele conhece a jornalista Vera Moreira e acaba descobrindo que seu cliente está envolvido com o tráfico internacional de ouro. Vera tem informações suficientes para levar Mr Gold, como é conhecido Liberato, à cadeia, e por isso, corre perigo. Assim, Marciano se faz cúmplice no projeto de denunciar Liberato.

Sandra Bréa em Amada Amante 1978

Cena final do filme "Amada Amante" de Claúdio Cunha rodado em 1978. Participam da cena, Sandra Bréa e Luis Gustavo.


Tropa de Elite: Trailer Oficial

Entrevista com Júlio Bressane

Durante o Festival de Cinema Brasileiro de Brasília em 2007.




Filmes Brasileiros sobre Política

141 Filmes Brasileiros sobre Política


Regime autoritário de 1964
1. Zuzu Angel (2006)
2. O ano em que meus pais saíram de férias (2006)
3. Hércules 56 (2006)
4. O Sol – caminhando contra o vento (2006)
5. Quase dois irmãos (2005)
6. Vlado - 30 anos depois (2005)
7. Cabra cega (2004)
8. Tempo de resistência (2004)
9. Cartas da mãe (2003)
10. Araguaya - a conspiração do silêncio (2003)
11. No olho do furacão (2002)
12. Barra 68 (2000)
13. Marighella - retrato falado do guerrilheiro (1999)
14. Palestina do norte: o Araguaia passa por aqui (1998)
15. Ação entre amigos (1998)
16. O que é isso, companheiro? (1997)
17. Vala comum (1994)
18. A dívida da vida (1992)
19. Que bom te ver viva (1989)
20. Primeiro de abril (1989)
21. PSW - Uma crônica subversiva (1988)
22. Nunca fomos tão felizes (1984)
23. O evangelho segundo Teotônio (1984)
24. Prá frente Brasil (1982)
25. República dos assassinos (1979)
26. Paula - a história de uma subversiva (1979)
27. O bom burguês (1978)
28. Manhã cinzenta (1969)
29. Do Brasil para o mundo (1967)
30. Oito universitários (1967)
31. O desafio (1965)

Biográficos
1. Dom Helder Câmara - o santo rebelde (2006)
2. O Profeta das águas (2005)
3. Raízes do Brasil (2004)
4. Gregório de Mattos (2002)
5. JK: O menino que sonhou um país (2002)
6. O homem que queria ser Presidente (2001)
7. Mauá, o imperador e o rei (1999)
8. Tiradentes (1998)
9. O velho (1997)
10. Castro Alves – retrato falado do poeta (1997)
11. Lamarca (1994)
12. Carlota Joaquina, princesa do Brasil (1994)
13. O país dos tenentes (1987)
14. Eternamente Pagu (1987)
15. Chico Rei (1986)
16. Céu aberto (1985)
17. De Pernambuco falando para o mundo (1982)
18. Jânio a 24 Quadros (1981)
19. Jango (1981)
20. Os anos JK (1980)
21. Dr. Heráclito Fontoura Sobral Pinto - profissão advogado (1978)
22. Ganga Zumba (1964)

Guerras, rebeliões ou conflitos violentos locais
1. O preço da paz (2003)
2. A paixão de Jacobina (2001)
3. Brava gente brasileira (2001)
4. Netto perde sua alma (2001)
5. Senta a pua! (2000)
6. Guerra de Canudos (1997)
7. For all - O trampolim da vitória (1997)
8. A matadeira (1994)
9. A República dos anjos (1992)
10. Desterro (1992)
11. Guerra do Brasil (1987)
12. Fronteiras de sangue (1987)
13. Caldeirão de Santa Cruz do Deserto (1986)
14. Quilombo (1984)
15. A herança das idéias (1982)
16. Batalha dos Guararapes (1978)
17. Os Mucker: o massacre da seita do ferrabrás (1978)
18. Ajuricaba, o rebelde da Amazônia (1977)
19. Os inconfidentes (1972)
20. Independência ou morte (1972)
21. Os fuzis (1964)
22. O descobrimento do Brasil (1937)

Violência urbana, injustiça social, ausência de Estado
1. Quanto vale ou é por quilo (2005)
2. Cidade de Deus (2002)
3. Cronicamente inviável (2000)
4. Terra estrangeira (1995)
5. Brincando nos campos do senhor (1991)
6. Uma avenida chamada Brasil (1989)
7. Os donos da terra (1988)
8. Uma questão de terra (1988)
9. Rei do Rio (1986)
10. Anjos do arrabalde - as professoras (1986)
11. Avaeté, semente da vingança (1985)
12. Pixote - a lei do mais fraco (1981)
13. O homem que virou suco (1980)
14. Brasília: contradições de uma cidade nova (1967)
15. Proezas de Satanás na Vila do Leva-e-Traz (1967)

Ideologias, engajamento, alienação
1. O cão louco Mário Pedrosa (1993)
2. Quarup (1989)
3. Encontro com Prestes (1987)
4. Avante camaradas (1986)
5. Patriamada (1985)
6. Nada será como antes, nada? (1984)
7. Eh, Pagu, eh! (1982)
8. Teu tua (1980)
9. Tudo bem (1978)
10. Libertários (1976)
11. O bravo guerreiro (1968)
12. Brasil ano 2000 (1968)
13. Lance maior (1968)

Trabalhadores na política
1. Peões (2004)
2. O sonho de Rose, dez anos depois (2000)
3. Jenipapo (1996)
4. Terra para Rose (1987)
5. Cabra marcado para morrer (1984)
6. Linha de montagem (1982)
7. Eles não usam black-tie (1981)
8. A primeira Conclat (1981)
9. ABC da greve (1980)
10. Braços cruzados, máquinas paradas (1979)

Regime de Getúlio Vargas
1. Olga (2004)
2. Salvar o Brasil (1987)
3. Memórias do cárcere (1984)
4. Parahyba, mulher macho (1983)
5. Revolução de 30 (1980)
6. Homem de areia (sem rir sem chorar) (1976)
7. Getúlio Vargas (1974)
8. O caso dos irmãos Naves - Baseado na novela homônima de João Alamy Filho (1967)
9. Getúlio: glória e drama de um povo (1956)

Costumes e cultura política
1. Histórias do poder: cem anos de política no Brasil (2005)
2. Policarpo Quaresma, herói do Brasil (1988)
3. O homem da capa preta (1986)
4. A idade da Terra (1980)
5. Terra em Transe (1967)
6. Blá...Blá... Blá... (1967)

Mandonismo local
1. A terceira morte de Joaquim Bolívar (1999)
2. O tronco (1999)
3. Pindorama (1971)
4. Maranhão 66 (1966)

Campanhas eleitorais
1. Vocação do poder (2005)
2. Entreatos (2004)
3. Doces poderes (1996)
4. Muda Brasil (1985)

Instituições públicas
1. Justiça – o filme (2004)
2. Carandiru (2003)
3. O prisioneiro da máscarade ferro (2003)

Igreja e política
1. Batismo de sangue (2006)
2. Igreja dos oprimidos (1986)